Um investidor institucional do Hall da Fama vê uma necessidade urgente dos investidores diversificarem os riscos, já que a bolsa mostra os primeiros sinais de superaquecimento.
Pelo menos Rich Bernstein, um investidor gestor, que passou décadas na Wall Street, pensa assim. De acordo com ele, agora é o melhor momento para entrar em posições longas. Estamos falando das maiores empresas tecnológicas, o mercado de criptomoedas e as obrigações a longo prazo. "Estamos bem no meio da possível maior bolha em toda a minha carreira", disse Bernstein, CEO e CIO de Richard Bernstein Advisors, em uma entrevista. Ele aceita que há provas de que o inchaço no mercado seja ainda maior que as bolhas de ponto-com e a crise financeira global de 2008. Bernstein acredita que "o Fed distorceu tanto a ponta da curva, que estamos vendo uma reação muito natural entre ativos de longa duração, que por sua vez têm vida própria". "Qualquer um que estiver por aí nesses ativos de longa duração precisa estar firmemente convencido de que as taxas de juros a longo prazo não irão subir mais, porque isso é criptonita para essa bolha", disse o gestor.

Porém, nem todas as previsões de Bernstein foram corretas. Em junho, ele disse que o bitcoin permanece em uma bolha, mas desde então, a criptomoeda subiu e já reocupou mais de 50% de sua queda de maio. Bernstein também alertou para começar a diversificar ações para grupos que têm poder de preço diante da inflação. Isso é especialmente verdadeiro para ações de empresas que produzem commodities, materiais ou estão diretamente ligadas ao setor de energia. Mas apesar de seu épico aviso sobre a bolha, Bernstein não prevê um colapso geral no mercado. Ele o vê como um balanço. "Estamos equilibrando-nos entre esses ativos de longa duração, que são muito supervalorizados e uma bolha, contra o resto do mundo", disse Bernstein. "A menos que a liquidez seque muito rápido, o que parece improvável, a probabilidade de um enorme mercado de ursos provavelmente é muito menor do que as pessoas pensam", ele acrescentou.
E já era tempo de lembrar que a Reserva Federal não recorrerá a a uma redução emergencial de seu programa de compra de ativos, muito menos reduzirá seu balanço antes do primeiro aumento na taxa de juros. A curto prazo, um ou dois anos, o mercado está seguro, pelo menos se tudo for como o banco central prevê e a inflação voltar à faixa aceitável de 2%. Até a economia recuperar-se completamente dos efeitos da pandemia do coronavírus e houver rumores o bastante para outra queda, nessa primavera, nenhuma declaração de autoridades permitirá que a bolsa renove suas altas.

Como podemos ver no gráfico, o índice S&P 500 tem equilibrado-se em volta de 4.400 pontos por muito tempo, o que indica uma pausa de inverno dos investidores, antes de outro rally da primavera, em vez de uma possível correção. É possível que os dados da inflação desta semana encorajarão os investidores a escolherem uma direção. Um rompimento pelo nível mágico de 4.400 trará os novos compradores de volta ao mercado, empurrando o índice para altas históricas. Se vermos uma correção, será aos níveis de 4.423 e 4.407.