Ações em alta com pausa nas tarifas incentivando o mercado
As ações dos EUA fecharam em alta na terça-feira, impulsionadas pelo fortalecimento do setor de energia. O otimismo do mercado foi alimentado pela pausa inesperada do presidente Donald Trump nas medidas comerciais contra o Canadá e o México.
Tarifas entram em vigor, mas o tempo favorece as negociações
Apesar da introdução de novas tarifas de 10% sobre importações chinesas, às quais Pequim respondeu com medidas espelhadas, os investidores não demonstram pressa em entrar em pânico. A continuidade das negociações comerciais segue em aberto, e Trump afirmou não ter intenção de acelerar o processo.
Setor de energia lidera alta do mercado
O maior crescimento foi registrado no setor de energia (.SPNY), que avançou 2,18%. Enquanto isso, as empresas de utilidades públicas (.SPLRCU) e de consumo (.SPLRCS) ficaram entre os piores desempenhos, registrando quedas.
Trégua de 30 dias em vez de medidas rígidas
Inicialmente, Trump planejava impor tarifas de 25% sobre produtos do México e do Canadá, mas surpreendentemente mudou sua posição, concordando com uma trégua de um mês. Em troca, Washington espera concessões dos vizinhos do norte em relação ao controle de fronteiras e ao combate ao crime. "O recuo rápido de Trump sugere que seu verdadeiro objetivo é mais um ganho político com os eleitores do que uma grande mudança na política comercial", disse Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA Research.
Lucros corporativos fortes impulsionam otimismo dos investidores
O mercado de ações dos EUA continua apresentando forte crescimento, impulsionado por sólidos relatórios trimestrais. Segundo o S&P 500, das 211 empresas que já divulgaram seus resultados financeiros do quarto trimestre, quase 77% superaram as estimativas dos analistas. Esse fator tem sido um catalisador poderoso para o avanço dos índices acionários.
Palantir surpreende Wall Street
Uma das grandes vencedoras do dia foi a Palantir (PLTR.O). Suas ações dispararam 24% após a divulgação de projeções de receita para o primeiro trimestre e o ano inteiro, que superaram significativamente as expectativas do mercado. O sucesso da empresa de análise de dados destaca a crescente demanda por tecnologias avançadas de processamento de informações.
Alphabet: alta antes da queda
As ações da Alphabet (GOOGL.O) subiram 2,6% antes da divulgação do relatório trimestral. No entanto, após a publicação dos dados financeiros, os papéis caíram abruptamente – a empresa não atingiu as expectativas dos analistas devido à desaceleração nos negócios de nuvem. Como resultado, as ações da Alphabet caíram 7% no pregão pós-mercado.
Índices acionários em alta
Apesar da volatilidade de algumas ações, os principais índices fecharam o dia em território positivo:
- O Dow Jones Industrial Average (.DJI) subiu 134,13 pontos (+0,30%), alcançando 44.556,04;
- O S&P 500 (.SPX) avançou 43,31 pontos (+0,72%), fechando em 6.037,88;
- O Nasdaq Composite (.IXIC) liderou os ganhos, com alta de 262,06 pontos (+1,35%), atingindo 19.654,02.
China atinge empresas dos EUA
Nem todas as empresas conseguiram encerrar o dia em alta. A Illumina (ILMN.O), importante empresa do setor de biotecnologia, recuou 5,3%, enquanto a PVH Corp (PVH.N), dona de marcas como Calvin Klein, caiu quase 1%. O motivo foi a inclusão dessas companhias na "lista negra" da China – um movimento de Pequim que intensifica as tensões no comércio internacional e pressiona os investidores.
Fed alerta sobre riscos de inflação, mercados reagem de forma mista
Três membros do Federal Reserve expressaram preocupação com a possibilidade de uma inflação mais alta devido às tarifas comerciais. Um deles afirmou que a incerteza sobre as pressões inflacionárias exige um corte de juros mais cauteloso. Isso sinaliza que o Fed pode agir de forma menos agressiva do que os investidores esperavam.
Mercado de trabalho mostra sinais de enfraquecimento
O número de vagas abertas caiu para 7,6 milhões em dezembro, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, enquanto especialistas previam 8 milhões. Isso pode indicar um enfraquecimento da demanda por mão de obra, afetando as perspectivas para a economia e a política monetária.
PepsiCo decepciona com previsões
As ações da PepsiCo (PEP.O) caíram 4,5%, apesar do aumento dos lucros. Os investidores ficaram desapontados com a previsão da empresa para o ano, que ficou abaixo das expectativas dos analistas. Além disso, a receita trimestral não atingiu as projeções de Wall Street, aumentando a pressão sobre os papéis da fabricante de bebidas e snacks.
Estee Lauder em queda
O gigante dos cosméticos Estee Lauder (EL.N) despencou 16,1% após apresentar um relatório trimestral fraco. A empresa continua enfrentando dificuldades com a queda na demanda, o que a levou a anunciar cortes de empregos, marcando um dos maiores declínios da marca em anos.
Merck enfrenta problemas na China
A farmacêutica Merck (MRK.N) caiu 9,1% após anunciar que interromperá o envio de sua vacina Gardasil para a China até pelo menos meados do ano. O motivo é a baixa demanda pelo imunizante contra o HPV, o que pode impactar significativamente a receita da empresa em 2025.
PayPal decepciona e ações despencam
As ações do PayPal (PYPL.O) caíram 13,2% após a empresa divulgar margens operacionais decepcionantes no quarto trimestre, alimentando preocupações dos investidores sobre a crescente concorrência no setor de pagamentos digitais e seu impacto na lucratividade.
Conflito comercial ainda não escalou
Embora as novas tarifas dos EUA tenham sido mais brandas do que o esperado, isso não impediu uma reação negativa inicial dos mercados chineses. No entanto, a Bolsa de Hong Kong reagiu de forma mais moderada, e algumas ações chinesas até registraram ganhos. Os investidores veem isso como um sinal de que, por enquanto, uma crise comercial em larga escala foi evitada.
DeepSeek inspira otimismo
Em meio à incerteza comercial, os investidores encontraram um motivo para otimismo no setor de inteligência artificial da China. A DeepSeek, que lançou um modelo de IA avançado e de baixo custo, impulsionou o interesse em ações de tecnologia. Segundo especialistas, esse fator aliviou temporariamente as preocupações do mercado, com investidores apostando no apoio de Pequim ao setor no futuro.
Mercado acionário chinês reage com cautela
Apesar dos riscos comerciais, a liquidação de ações foi limitada:
- O índice de blue chips CSI300 (.CSI) recuou apenas 0,2%, demonstrando resiliência diante da pressão externa;
- O Índice Composto de Xangai (.SSEC) também caiu 0,2%, refletindo a postura de espera dos investidores.
O principal foco dos participantes do mercado agora está nas possíveis medidas de apoio à economia por parte das autoridades chinesas.
Taxa de câmbio do yuan: Pequim mantém cautela
Nesta quarta-feira, o banco central da China fixou a taxa média do yuan em 7,1693 por dólar, o nível mais alto desde novembro de 2024. Os investidores interpretaram essa decisão como um sinal de que Pequim não pretende enfraquecer a moeda em resposta às tarifas dos EUA.
Anteriormente, um yuan desvalorizado ajudava a China a mitigar o impacto das tarifas comerciais, especialmente durante o primeiro mandato de Donald Trump. Agora, o mercado acompanha de perto a dinâmica da moeda para entender qual será a postura de Pequim nas negociações com os Estados Unidos.
Mercados chineses recuperam crescimento, mas riscos persistem
Os mercados acionários da China continental (SSEC, CSI300) seguiram o exemplo da Bolsa de Hong Kong, que abriu mais cedo e apresentou forte alta. Apesar das novas tarifas de 10% dos EUA, as ações chinesas dispararam na terça-feira, demonstrando resistência diante dos desafios comerciais.
Choques comerciais: tarifas, sanções e as contramedidas da China
Durante o feriado de uma semana na China, diversos eventos importantes ocorreram:
- O governo Trump impôs novas tarifas sobre importações chinesas, gerando nervosismo nos mercados;
- Pequim anunciou retaliação equivalente, atingindo importações dos EUA;
- Autoridades chinesas alertaram empresas, incluindo o Google, sobre possíveis sanções, aumentando as tensões.
Apesar dessas incertezas, as ações chinesas em Hong Kong (.HSCE) subiram mais de 4% nesta semana, atingindo a máxima de três meses. O setor de tecnologia (.HSTECH) teve um desempenho ainda melhor, com alta de quase 7%, refletindo o otimismo dos investidores. No entanto, o índice Hang Seng (.HSI) caiu 1,2% nesta quarta-feira, provavelmente devido à realização de lucros após a forte valorização recente.
Yuan Enfraquece com Riscos Comerciais
A moeda chinesa também está sob pressão. O yuan offshore caiu 0,6% desde 27 de janeiro, quando os mercados do continente fecharam para o feriado. Nesta semana, a moeda atingiu uma mínima histórica, sinalizando crescentes preocupações dos investidores de que Pequim possa manipular ainda mais o câmbio em resposta às tarifas dos EUA.
Tecnologia impulsiona o mercado
As ações no continente registraram um aumento no interesse pelo setor de tecnologia, especialmente no segmento de inteligência artificial. Após a rápida ascensão das empresas de IA em Hong Kong, uma dinâmica semelhante surgiu no mercado chinês:
- O Índice de IA da China subiu 3%;
- Fabricantes de robôs (.CSIH30590) avançaram quase 4%;
- O índice STAR 50 de tecnologia (.STAR50) teve alta de 3%, sinalizando forte demanda por empresas inovadoras.
O principal motor desse crescimento foi o entusiasmo dos investidores com a empresa chinesa DeepSeek, que apresentou um modelo avançado de IA, fortalecendo a confiança no potencial do setor tecnológico chinês.
Preocupações macroeconômicas pesam sobre o mercado
Apesar dos ganhos recentes, o índice de referência das blue chips chinesas acumula uma queda de 3% no ano, refletindo as preocupações dos investidores com a instabilidade macroeconômica, um possível enfraquecimento do crescimento e a pressão contínua das guerras comerciais e tensões geopolíticas.
Mercado chinês equilibra otimismo e riscos
A forte alta das ações de tecnologia e a confiança no setor de IA têm sustentado o mercado acionário chinês até agora. No entanto, barreiras comerciais, instabilidade cambial e ameaças macroeconômicas podem continuar a pressionar os investidores. O foco está nas próximas movimentações de Pequim e Washington para avaliar quais medidas serão adotadas para estabilizar a situação.