O mercado considerou os resultados da NVIDIA satisfatórios e não entrou em correção. Pelo contrário, a revisão em alta do PIB dos EUA no segundo trimestre, de 3% para 3,3%, inspirou os compradores de ações a buscar novos recordes. O S&P 500 ultrapassou a marca de 6.500 pontos pela primeira vez na história, estabelecendo um novo pico. Quando um índice amplo é sustentado não apenas pelas tecnologias de inteligência artificial, mas também por uma economia sólida, por que não deveria subir?
Dinâmica do PIB dos EUA
Vale destacar que a revisão do crescimento do PIB se apoiou no investimento empresarial, e não nas exportações líquidas. Esse fator aumentou a confiança dos investidores na resiliência da economia dos EUA diante das políticas protecionistas da Casa Branca. Ao mesmo tempo, o mercado reforçou a percepção de que boa parte do drama tarifário no início do ano foi exagerada.
Enquanto isso, o corte esperado na taxa dos fundos federais em setembro já está refletido no S&P 500. Por isso, torna-se essencial que a inflação não acelere.
Segundo especialistas da Bloomberg, o núcleo do índice de gastos de consumo pessoal (Core PCE) deve avançar de 2,8% para 2,9% em julho. Se a previsão se confirmar, o mercado acionário poderá estender seu rali; caso contrário, uma nova resistência poderá se impor.
Dinâmica da inflação nos EUA
Os derivativos indicam uma probabilidade de 85% de que o Fed retome seu ciclo de afrouxamento monetário na próxima reunião do FOMC. A principal questão para os investidores é o que acontecerá em seguida. Segundo Christopher Waller, manter a taxa dos fundos federais em 4,5% em julho foi um erro; o banco central não pode esperar até que o mercado de trabalho congele, e esse processo pode ocorrer muito rapidamente.
Ao mesmo tempo, o principal candidato a assumir a presidência do banco central após a saída de Jerome Powell em maio de 2026 não apoia a proposta do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, de um corte de 50 pontos-base em setembro, considerando que uma redução de 25 pontos-base seria suficiente.
Nesse contexto, fatores como a expansão das tecnologias de inteligência artificial, os fortes resultados corporativos — incluindo os robustos números da NVIDIA —, a resiliência da economia dos EUA e a disposição do Fed em flexibilizar a política monetária criam um cenário favorável para a continuação da tendência de alta do S&P 500.
O único desafio real para os touros do mercado de ações pode ser a migração de capital da América do Norte para a Europa, diante do desempenho mais acelerado do EuroStoxx 600 em relação ao seu equivalente nos EUA, algo que não acontecia há quase duas décadas. No entanto, a diferença — atualmente em 13 pontos percentuais em dólares — provavelmente não se ampliará significativamente. A economia dos EUA já não reage com tanto temor às tarifas como após o "America's Liberation Day" em abril.
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário, o S&P 500 avançou mais um passo em direção às metas de alta previamente estabelecidas de 6.565 e 6.700 pontos. A estratégia permanece a mesma: comprar o índice amplo em retrações ou quando novos máximos locais forem alcançados.