O Bitcoin continua a seguir o panorama técnico de forma bastante clara. A correção segue em curso, enquanto o mercado permanece em movimento lateral. Vale lembrar que o Bitcoin está em um canal lateral desde 1º de dezembro. Assim, há cerca de um mês e meio, a principal criptomoeda vem sendo negociada na faixa entre US$ 83.700 e US$ 94.200. Nesse período, surgiram diversos sinais de negociação na forma de desvios das extremidades do canal lateral e, conforme ilustrado abaixo, todos esses sinais foram executados em maior ou menor grau. Recorde-se que, após a formação de um desvio, existem dois alvos para o movimento: 50% do canal lateral e 100%. Padrões internos dentro do canal lateral não são relevantes.
Diante desse contexto, restam apenas duas possibilidades de desenvolvimento no momento: aguardar o fim do movimento lateral ou operar a partir das suas extremidades. Esperar o término do flat pode levar bastante tempo; por isso, torna-se mais eficiente buscar oportunidades de abertura de posições nas bordas do canal. A tendência de baixa no timeframe diário permanece, o que sustenta a expectativa de retomada da queda do chamado "ouro digital".
Do nosso ponto de vista, as perspectivas do Bitcoin para 2026 são bastante incertas. Muitos especialistas apontam uma demanda enfraquecida por criptomoedas após os dias 10 e 11 de outubro de 2025, quando ocorreu um colapso generalizado do mercado. Também podemos observar uma redução do interesse por parte de investidores institucionais e o desaparecimento do padrão de crescimento tradicionalmente associado ao halving do Bitcoin. Em outras palavras, as regularidades que anteriormente impulsionavam a valorização do ativo deixaram de funcionar.
Para sustentar um crescimento de longo prazo, o Bitcoin precisa continuar a ganhar popularidade não apenas entre traders de varejo e consumidores, mas também junto a grandes players e instituições, especialmente como meio internacional de pagamento. No entanto, no momento, as instituições demonstram maior interesse por ativos como ouro e prata, enquanto os traders de varejo, os mais afetados pelos eventos de 10 e 11 de outubro, seguem cautelosos, temendo novos crashes que possam desencadear chamadas de margem. Como resultado, os volumes de negociação estão em mínimos locais, e o Bitcoin segue em consolidação.
Quadro geral do BTC/USD no 1D

No intervalo diário, o Bitcoin mantém a tendência de baixa enquanto a correção continua. A estrutura de tendência é claramente descendente: o Bloco de ordens de alta de junho foi trabalhado; o lacuna de valor justo de alta (Fair Value Gap – FVG) de abril foi superado; e o nível de US$ 84.000 (38,2% de Fibonacci) — que havíamos destacado como alvo — foi alcançado.
A partir daqui, o Bitcoin pode cair até US$ 60.000, região a partir da qual se iniciou sua última alta. Durante a última onda de queda, formou-se um pequeno FVG de baixa, que permanece como a única área de Ponto de Interesse (POI) para novas vendas. No entanto, o Bitcoin ainda não conseguiu trabalhar esse padrão. Há, porém, duas remoções de liquidez do lado vendedor logo abaixo. Vale ressaltar que a remoção de liquidez não constitui um sinal de entrada, mas apenas um alerta.
Quadro geral do BTC/USD no 4H

No intervalo de 4 horas, o preço permanece em um canal lateral. Após a formação do último sinal de venda próximo à borda superior do canal, o Bitcoin conseguiu cumprir um de seus dois alvos — 50% do canal lateral.
Com o início da nova semana, o Bitcoin volta a se mover em direção à borda superior do movimento lateral. Assim, é possível que, nos próximos dias, se forme um novo desvio e ocorra uma nova remoção de liquidez do lado vendedor. Embora o Bitcoin tenha se mantido relativamente estável nos últimos meses, a perspectiva permanece baixista.
Recomendações para negociar o BTC/USD:
O Bitcoin rompeu a estrutura de alta no gráfico diário e, pela primeira vez em três anos, passou a formar uma tendência de baixa de forma mais clara. Os dois alvos mais próximos, o Bloco de Ordens de alta, localizado entre US$ 98.000 e US$ 102.700, e FGV de alta — já foram alcançados. A partir deste ponto, o cenário indica a possibilidade de uma queda até US$ 70.800, correspondente ao nível de 50% de retração de Fibonacci do movimento de alta iniciado há três anos.
Entre as áreas de de interesse (POI) para venda, destaca-se apenas o FGV de baixa no gráfico diário, situada na faixa de US$ 96.800 a US$ 98.000, região que o Bitcoin ainda não testou. No gráfico de 4 horas, formou-se um sinal de venda, com alvo projetado em US$ 89.200. É possível que um novo sinal semelhante ao anterior se forme nos próximos dias ou, alternativamente, que o atual movimento lateral chegue finalmente ao fim.
Explicações para as ilustrações:
CHOCH — Mudança de Caráter (Change of Character)
Liquidez (Liquidity) — concentra as ordens de stop dos traders, que são frequentemente utilizadas pelos market makers (formadores de mercado) para montar suas próprias posições.
FVG — Lacuna de Valor Justo (Fair Value Gap) — área de ineficiência de preço. São zonas pelas quais o preço se desloca muito rapidamente, indicando a ausência de um dos lados do mercado. Posteriormente, o preço tende a retornar a essas áreas e reagir a elas.
IFVG — Lacuna de Valor Justo Invertida — área invertida de ineficiência de preço. Ao retornar a essa região, o preço não apresenta reação e rompe de forma impulsiva, passando então a testá-la pelo lado oposto.
OB — Bloco de Ordens (Order Block) — vela na qual o market maker abre posições com o objetivo de capturar liquidez e, assim, estruturar sua posição na direção contrária ao movimento anterior.