
O ouro permanece sob pressão nesta terça-feira, sendo negociado próximo ao nível psicológico de US$ 4.600, após ter alcançado uma nova máxima histórica na sessão anterior. Apesar da correção de curto prazo, o pano de fundo fundamental continua favorável ao metal precioso. A recuperação do dólar americano após a queda registrada ontem atua como o principal fator a limitar novos avanços do par XAU/USD. Ainda assim, o potencial de fortalecimento sustentado do dólar é contido pelas crescentes preocupações em torno da independência do Federal Reserve.
Uma investigação iniciada pela administração de Donald Trump contra o presidente do Fed, Jerome Powell, aumentou a incerteza sobre a autonomia do banco central e tornou-se um dos principais vetores de sustentação do ouro como ativo de refúgio. Em declaração pública, Powell classificou a situação como sem precedentes, afirmando interpretar a investigação como uma reação à recusa do Fed em cortar as taxas de juros sob pressão da Casa Branca.
As tensões geopolíticas seguem como uma fonte adicional de suporte. Declarações recentes de Trump sobre a possibilidade de ação militar contra o Irã, em resposta à repressão violenta de protestos, somadas à ameaça de impor tarifas de 25% sobre importações de países que cooperem com Teerã, elevaram a demanda por ativos de refúgio. Como resultado, o ouro atingiu novas máximas históricas no início desta semana.
No entanto, a dinâmica de curto prazo do metal dependerá da divulgação dos dados de inflação ao consumidor dos EUA, prevista para mais tarde hoje. O consenso de mercado projeta que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) geral avance 0,3% em base mensal, enquanto a taxa anual deve permanecer em 2,7%. O CPI núcleo, que exclui alimentos e energia, também é esperado próximo de 2,7% na comparação anual.
Qualquer desvio relevante dessas projeções poderá influenciar as expectativas do mercado em relação à decisão de política monetária do Fed na reunião de 28 de janeiro. Ao mesmo tempo, os participantes do mercado continuam a precificar dois cortes nas taxas de juros em 2026, o que limita a demanda pelo dólar americano e sustenta o interesse pelo ouro.
Sob a ótica fundamental, a queda dos rendimentos dos ativos dos EUA e a persistente incerteza geopolítica continuam a criar um ambiente favorável para o metal precioso. Eventuais recuos corretivos tendem a ser encarados pelos investidores como oportunidades de compra, enquanto a tendência mais ampla permanece altista.
Do ponto de vista técnico, observa-se um suporte relevante próximo à área de retração corretiva em torno de 4.560, enquanto a resistência imediata está localizada no nível psicológico de 4.600. Os osciladores seguem em território positivo, mas se aproximam da zona de sobrecompra, sugerindo a continuidade do viés altista, possivelmente acompanhada por consolidação ou um recuo técnico.