
Sob a pressão de crises geopolíticas, mudanças na política monetária e uma profunda transformação das cadeias globais de fornecimento tecnológico, novos paradigmas de investimento começam a se consolidar.
A prata ultrapassou US$ 88 por onça pela primeira vez na história, marcando uma valorização sem precedentes do metal branco, tanto como ativo de refúgio quanto como insumo industrial. Ao mesmo tempo, o Bitcoin rompeu uma correlação de vários anos com o ouro, sinalizando o início de um novo e potencialmente poderoso rali, enquanto as altcoins enfrentam uma saída expressiva de capital — mais de US$ 40 bilhões foram retirados de posições especulativas. Nesse cenário de choques de mercado, gigantes de tecnologia como o Google aceleram a transferência da produção de dispositivos topo de linha da China para o Vietnã, reforçando a tendência de diversificação das cadeias globais de abastecimento.
Neste artigo, analisamos quatro eventos-chave que estão moldando a trajetória da economia global, dos mercados financeiros e da soberania tecnológica no início do novo ano.
A prata registrou uma alta histórica, ultrapassando US$ 88 por onça.
No início das negociações de terça-feira, 14 de janeiro de 2026, a prata ultrapassou US$ 88 por onça pela primeira vez na história, dando continuidade ao poderoso rali iniciado em 2025. A valorização do metal branco — impulsionada pela instabilidade geopolítica, pelo aumento da demanda industrial e pelas expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve — elevou seu preço em mais de 20% apenas nas duas primeiras semanas de 2026. Ao longo de 2025, a prata acumulou alta de cerca de 145%, deixando de ser vista apenas como um tradicional ativo de refúgio para se tornar um dos instrumentos mais dinâmicos do mercado de metais preciosos.
Em 12 de janeiro, a prata atingiu uma nova máxima histórica, acima de US$ 88 por onça — o maior nível já registrado. Nas sessões seguintes, o metal passou a oscilar dentro de uma faixa relativamente estreita, entre US$ 85 e US$ 88. Paralelamente, o ouro também apresentou ganhos expressivos, superando a marca de US$ 4.600 por onça.
Ainda assim, a prata vem exibindo uma volatilidade significativamente maior e um ritmo de valorização mais acelerado. Como consequência, a relação ouro/prata caiu de forma acentuada, passando de um extremo de 100:1 no início de 2025 para cerca de 57:1 atualmente. Esse movimento indica um aumento do apelo da prata não apenas como ativo de proteção, mas também como insumo industrial estratégico.
Os principais catalisadores dessa alta estão ligados a choques geopolíticos globais. A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro no final de 2025 desencadearam uma nova onda de incerteza nos mercados internacionais, levando investidores a realocar capital para ativos reais. As tensões persistentes envolvendo o Irã e o conflito prolongado na Europa Oriental adicionam pressão adicional ao cenário, reforçando a busca por proteção e sustentando a forte demanda pelo metal.

No plano doméstico, o cenário é agravado por uma investigação do Departamento de Justiça envolvendo a liderança do Federal Reserve. O presidente do Fed, Jerome Powell, classificou o inquérito como um "pretexto" para pressionar o banco central a forçar cortes nas taxas de juros. Esses acontecimentos minam a confiança no dólar como moeda de reserva e ampliam o interesse por ativos alternativos. As estimativas atuais do mercado indicam que o Fed poderá reduzir sua taxa básica pelo menos duas vezes em 2026, o que torna os ativos sem rendimento, especialmente a prata e o ouro, particularmente atrativos.
A máxima histórica da prata é impulsionada por uma combinação de fatores, que vão desde conflitos geopolíticos globais até tensões políticas internas nos Estados Unidos. A queda acentuada da relação ouro/prata para cerca de 57:1 sugere espaço para uma nova aceleração na valorização da prata, sobretudo se a demanda industrial continuar a crescer no contexto da transição energética e da expansão das tecnologias verdes.
Traders que acompanham de perto a dinâmica dos metais preciosos podem explorar a volatilidade atual e a tendência de alta sustentada por meio de posições direcionais em prata ou da utilização de estratégias de spread entre ouro e prata.
Diante do atual ambiente de mercado, os investidores podem considerar a abertura de posições compradas em prata ou aproveitar eventuais recuos dentro da faixa de US$ 85–88 para entrar em posições longas, visando novas máximas históricas. Operações de curto prazo em movimentos de correção também podem oferecer oportunidades, especialmente em períodos de maior volatilidade. Ao tomar decisões de negociação, é fundamental considerar a correlação entre o ouro e o dólar americano.
A prata e o ouro estão disponíveis para negociação na plataforma InstaForex. Recomenda-se aos traders a abertura de uma conta na InstaForex para acesso rápido a esses instrumentos. Para maior praticidade e controle das posições em um mercado de alta velocidade, também é indicado o uso do aplicativo móvel da InstaForex, que oferece todas as funcionalidades de um terminal de negociação a qualquer hora e em qualquer lugar.
Bitcoin rompe correlação com o ouro após quase quatro anos.Analistas projetam um rali expressivo. O Bitcoin rompeu sua correlação com o ouro pela primeira vez desde o início de 2022 — um sinal técnico que, historicamente, precedeu movimentos de alta significativos da criptomoeda. Esse rompimento reacendeu o debate na comunidade de investidores: enquanto alguns analistas acreditam que o ativo poderá em breve testar novas máximas históricas, outros argumentam que o contexto atual difere dos ciclos anteriores. Ainda assim, as estatísticas históricas oferecem fundamentos para o otimismo.
Segundo Yashu Gola, analista da Cointelegraph, a correlação de 52 semanas entre o Bitcoin e o ouro caiu recentemente para zero e tende a tornar-se negativa até o fim de janeiro. Em quatro episódios comparáveis desde 2017, após a correlação entrar em território negativo, o Bitcoin avançou, em média, cerca de 56% ao longo de aproximadamente dois meses. Aos preços atuais — em torno de US$ 96.000 — isso implicaria uma faixa-alvo estimada entre US$ 144.000 e US$ 150.000.
A valorização da criptomoeda ocorre em meio a um pano de fundo macroeconômico mais favorável. A inflação nos Estados Unidos desacelerou, e há avanços no Congresso em relação à regulamentação do setor cripto. Em 13 de janeiro, o Bitcoin atingiu uma máxima de dois meses acima de US$ 96.000, desencadeando liquidações de posições vendidas superiores a US$ 500 milhões.
Matt Hougan, diretor de investimentos (CIO) da Bitwise, observou que os mercados de alta do Bitcoin tendem a coincidir com períodos de expansão da liquidez global. Segundo ele, o novo ciclo de afrouxamento da política monetária deverá atuar como um catalisador de preços ao longo de 2026.

De fato, a Reserva Federal encerrou o aperto quantitativo em dezembro de 2025 ao interromper a redução mensal do balanço, que vinha sendo um fator estrutural negativo para os ativos de risco. Além disso, o Fed cortou as taxas de juros três vezes consecutivas, levando a faixa-alvo para 3,5%–3,75%.
O analista Tor DeMeester observou em 12 de janeiro que a "aceleração da emissão monetária continua sendo o principal fator de alta para o Bitcoin", citando a expansão da oferta monetária global M2. No entanto, alguns especialistas destacam que o Bitcoin recentemente se desvinculou do ritmo de crescimento da liquidez global, o que adiciona incerteza ao cenário.
Historicamente, um enfraquecimento da correlação entre o Bitcoin e o ouro precedeu fortes movimentos de alta. Em um contexto de desaceleração da inflação, flexibilização monetária pelo Fed e aumento da liquidez global, as condições estão favoráveis para a continuidade dos ganhos no mercado cripto. Os fatores fundamentais e técnicos atuais apontam para uma possível alta até US$ 144.000–US$ 150.000 nos próximos meses.
Os traders podem se beneficiar abrindo posições de compras em Bitcoin, antecipando novos ganhos. Estratégias que combinam sinais técnicos (como a quebra de correlação) com dados macroeconômicos parecem especialmente promissoras. É fundamental gerenciar a volatilidade com controles de risco, incluindo stop-loss e saídas parciais das posições à medida que os alvos forem sendo atingidos.
Altcoins perdem atratividade: mais de US$ 40 bilhões saíram de posições especulativas
O mercado de criptomoedas está passando por uma grande reestruturação: ativos especulativos conhecidos como altcoins estão perdendo rapidamente o apelo entre os investidores. De acordo com um novo relatório do market maker Wintermute, mais de US$ 40 bilhões foram retirados de posições em altcoins durante uma grande onda de redução de risco. Esse movimento representou uma das mais fortes realocações de capital em direção a ativos mais confiáveis e líquidos da história do mercado cripto.
A análise da Wintermute sobre negociações over-the-counter (OTC) mostrou que os ciclos de alta das criptomoedas de menor capitalização agora duram, em média, apenas 20 dias, aproximadamente metade dos 40 a 60 dias típicos de ciclos anteriores.
Essa compressão sugere que a era do "cassino das altcoins", em que ativos de alto risco podiam se multiplicar rapidamente, pode estar chegando ao fim. Investidores de varejo estão revisando suas estratégias e retornando a ativos com fundamentos mais sólidos e resilientes.

Particularmente reveladora é a crescente dominância do Bitcoin, cuja participação na capitalização total do mercado cripto subiu para cerca de 60%. Dados internos da Wintermute também indicam que traders de varejo estão realocando ativamente capital das altcoins para o Bitcoin, refletindo um consenso crescente de que ativos maiores e mais líquidos tendem a liderar os movimentos antes que os investidores voltem a se expor a tokens menores e menos líquidos.
Em seu relatório de mercado de dezembro, a Wintermute observou que as altcoins continuam apresentando desempenho inferior, pressionadas pela elevada oferta de tokens e por um calendário concentrado de desbloqueios, que segue pesando sobre a chamada "cauda longa" do mercado.
O relatório de negociação OTC de 2025 reforça esse diagnóstico ao destacar que a atividade de negociação permaneceu fortemente concentrada nos dois maiores ativos por capitalização — Bitcoin e Ether — em contraste com ciclos anteriores, nos quais investidores institucionais rotacionavam de forma mais ativa para tokens de menor porte.
O mercado de altcoins enfrenta, assim, uma deterioração estrutural, impulsionada pelo excesso de oferta, pela redução do apetite ao risco e pela migração de capital em direção ao Bitcoin. Os ciclos de alta das altcoins tornaram-se mais curtos, e sua volatilidade deixou de atrair o investidor de massa. No estágio atual, o Bitcoin apresenta uma dinâmica mais resiliente, levando traders a reavaliar estratégias e a concentrar-se em ativos líderes.
Diante da crescente dominância do Bitcoin e das saídas persistentes de capital das altcoins, os traders podem considerar a abertura de posições compradas em BTC, utilizando eventuais correções nas altcoins apenas para operações de curto prazo. Além disso, é fundamental acompanhar de perto os volumes e a liquidez do mercado para identificar, em tempo hábil, possíveis transições para novas fases de alta.
Google acelera transferência da produção do seu smartphone emblemático para o Vietname
A Alphabet, controladora do Google, começará ainda este ano a desenvolver e produzir seus smartphones emblemáticos no Vietnã, informou o Nikkei Asia na terça-feira. A decisão marca um passo relevante na estratégia da gigante tecnológica americana de reduzir sua dependência da China. A nova capacidade produtiva permitirá que o Vietnã deixe de ser apenas um polo de montagem e passe a atuar como um centro completo de desenvolvimento e fabricação de dispositivos Pixel premium, incluindo os modelos Pixel, Pixel Pro e Pixel Fold.
Fontes citadas pelo Nikkei Asia indicam que a linha mais acessível Pixel A continuará a ser fabricada na China, enquanto o segmento premium será transferido para o Vietnã. A Reuters observou que não conseguiu confirmar a informação de forma independente no momento da publicação.
Ainda assim, o Google já havia iniciado a produção do Pixel no Vietnã em 2023, por meio das fabricantes contratadas Foxconn e Compal. No final de 2025, quase metade de todos os modelos Pixel emblemáticos já era produzida no país.
Essa mudança vai além de uma simples redistribuição das linhas de montagem. A implementação de processos de New Product Introduction (NPI) no Vietnã indica que o Google vê o país como um polo estratégico, capaz de sustentar todo o ciclo de criação de dispositivos premium — do design à produção em larga escala.

A abordagem do Google acompanha a estratégia da Apple de ampliar a produção de iPhones na Índia. Até o final de 2026, a Apple pretende fabricar a maior parte dos iPhones destinados ao mercado americano em território indiano. No ano fiscal encerrado em março de 2025, fábricas na Índia montaram mais de 40 milhões de iPhones, e os volumes devem quase dobrar nos próximos anos.
O principal motor por trás dessas mudanças é a crescente preocupação das empresas de tecnologia dos EUA com a dependência excessiva da China. Em meio ao recrudescimento das tensões comerciais e à ameaça de novas tarifas, as companhias buscam alternativas produtivas no Sudeste Asiático.
Os diferenciais tarifários são particularmente relevantes. Ao serem importados para os Estados Unidos, bens provenientes do Vietnã podem enfrentar tarifas de até 46%, enquanto produtos originários da China estariam sujeitos a tarifas que podem chegar a 145%, no âmbito do regime tarifário introduzido durante a presidência de Donald Trump. Essa disparidade cria um forte incentivo econômico para a realocação da produção.
A iniciativa estratégica do Google reforça o papel do Vietnã em sua cadeia global de suprimentos. Além de reduzir os riscos associados a tensões geopolíticas e restrições comerciais, essa mudança contribui para a formação de novos polos de manufatura tecnológica na Ásia. Para os mercados, isso se traduz em maior volatilidade nos setores de eletrônicos, logística e fornecimento, bem como em uma redistribuição dos fluxos de investimento na região.
O aumento dos investimentos em capacidade produtiva no Vietnã e na Índia pode beneficiar ações de empresas ligadas à logística, aos semicondutores e à manufatura por contrato, como Foxconn e Compal, além de favorecer as bolsas locais. Ao mesmo tempo, o enfraquecimento da posição da China nas exportações de alta tecnologia pode impactar pares cambiais como USD/CNY e USD/VND, assim como as ações da Alphabet e da Apple, especialmente em função de mudanças nos custos operacionais e nas cadeias de suprimentos.
Para aproveitar as condições atuais do mercado, é recomendável a abertura de uma conta de negociação com a InstaForex. Para maior agilidade e conveniência, o aplicativo móvel da empresa permite acesso ao mercado a qualquer hora e em qualquer lugar.



