O euro subiu e o dólar americano caiu depois que Donald Trump deixou claro que a questão da Groenlândia continua sem solução.

O ministro das Finanças da Alemanha afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, ultrapassou um limite ao ameaçar impor tarifas adicionais a aliados da OTAN por se oporem à sua tentativa de anexar a Groenlândia. Segundo Lars Klingbeil, a Europa tem sido constantemente confrontada com novas provocações e com um antagonismo deliberadamente buscado pelo presidente norte-americano, e os europeus precisam deixar claro que esse limite já foi atingido.
As declarações encerram uma crise diplomática que se arrastou por vários dias, desencadeada pelo interesse inesperado do líder americano em adquirir o território dinamarquês. Observadores acompanham a escalada com apreensão, cientes de que o que está em jogo vai muito além de uma única ilha e toca diretamente o futuro das relações transatlânticas.
A Europa reagiu de forma rápida e firme. Além das duras declarações do ministro das Finanças da Alemanha, líderes da França e do Reino Unido manifestaram profunda preocupação com as ações da administração norte-americana. A União Europeia convocou uma reunião de emergência do Conselho, em Bruxelas, para debater possíveis respostas. Especialistas avaliam que é improvável que a Europa deixe uma pressão tão explícita sem resposta e que o bloco deverá entrar em negociações duras com Washington.
A Groenlândia, que integra o Reino da Dinamarca, reafirmou sua plena autonomia nas decisões políticas e rejeitou qualquer tentativa de anexação. A população local, tradicionalmente cética em relação à política dos EUA, organizou protestos em massa contra as ações do presidente.
Klingbeil acrescentou que existe um conjunto de instrumentos europeus legalmente estabelecidos que pode responder à chantagem econômica com medidas extremamente sensíveis, e agora é preciso avaliar a aplicação destes mecanismos.
No fim de semana, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 10%, válida a partir de 1º de fevereiro, sobre bens de oito países europeus que se uniram em apoio à Groenlândia frente às ameaças de apreensão por parte dos EUA. A alíquota subiria para 25% em junho, caso não haja um acordo sobre a chamada "compra da Groenlândia". A ameaça foi feita após esses países anunciarem a realização de exercícios militares simbólicos da OTAN no território semi-autônomo dinamarquês.
Agora a UE discute a imposição de tarifas sobre bens americanos no valor de €93 bilhões, caso Trump leve adiante sua ameaça. As medidas já foram aprovadas em princípio em Bruxelas e poderiam ser implementadas rapidamente, se necessário. A lista de produtos potencialmente afetados inclui bens industriais dos EUA, como aeronaves da Boeing, automóveis fabricados nos Estados Unidos e bourbon.
Como mencionado anteriormente, o mercado cambial reagiu com forte venda do dólar e um rali em ativos de risco.
Do ponto de vista técnico, o cenário para o EUR/USD sugere que os compradores precisam reconquistar o nível de 1,1675. Apenas acima dessa faixa seria possível mirar um teste em 1,1700. A partir daí, um movimento até 1,1720 é viável, embora superar esse patamar sem o apoio de grandes players seja difícil. O alvo estendido está na máxima de 1,1742. Em caso de correção, espero interesse comprador relevante apenas próximo de 1,1650. Se esse nível não atrair demanda, o mais prudente seria aguardar uma nova mínima em 1,1615 ou buscar posições de compras a partir de 1,1580.
No caso do GBP/USD, os compradores da libra precisam romper a resistência mais próxima em 1,3440. Apenas esse movimento abriria espaço para um avanço em direção a 1,3460, acima do qual um rompimento se tornaria mais desafiador. Podemos encontrar o alvo estendido na região de 1,3489. Se houver uma queda, os vendedores tentarão assumir o controle em 1,3420. Se tiverem sucesso, a quebra dessa faixa representaria um golpe significativo para as posições de compras e poderia empurrar o par para 1,3400, com possibilidade de extensão até 1,3360.