
A estrutura de ondas no gráfico de 4 horas do EUR/USD permanece inalterada. Por hora, não há sinais que indiquem o cancelamento do segmento ascendente da tendência iniciado em janeiro do ano passado. No entanto, a estrutura de ondas observada desde 1º de julho de 2025 assumiu um formato mais estendido e corretivo. Na minha avaliação, o ativo concluiu a formação da onda corretiva 4, que apresenta uma estrutura interna não padronizada. Dentro dessa onda, observam-se exclusivamente formações corretivas, o que reforça, sem deixar dúvidas, sua natureza corretiva.
Na minha opinião, o segmento ascendente da tendência ainda não foi totalmente concluído, e seus alvos permanecem projetados até a região de 2,5000. Nas próximas semanas, poderemos observar a continuidade da sequência de ondas de alta, possivelmente sob a forma de uma estrutura clássica de cinco ondas. Ainda assim, não há convicção de que um movimento impulsivo esteja em desenvolvimento neste momento; portanto, essa sequência de alta também pode se encerrar após apenas três ondas. Neste cenário, a formação de um novo segmento descendente, igualmente de natureza corretiva, já estaria em andamento.
Nesta terça-feira, o EUR/USD avançou mais 80 pontos-base, movimento plenamente compatível com o atual pano de fundo noticioso. Vale lembrar que, no fim de semana, Donald Trump anunciou tarifas mais elevadas sobre diversos países europeus, em resposta à recusa da União Europeia em reconhecer os chamados "direitos legítimos" dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, seja por meio da sua entrega voluntária ou de uma eventual venda da ilha. As tarifas serão de 10% a partir de 1º de fevereiro, com aumento para 25% a partir de 1º de junho, caso não haja um acordo.
Em resposta, a União Europeia prepara tarifas retaliatórias sobre produtos norte-americanos que somam quase US$ 100 bilhões, além da possível ativação do chamado "mecanismo anti-coerção", que poderia restringir severamente o acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu. Como se observa, a guerra comercial ganha uma nova dimensão em 2026, e a UE demonstra disposição para responder aos Estados Unidos de forma proporcional.
Naturalmente, nem todos os líderes europeus apoiam medidas retaliatórias. Muitos defendem a retomada de negociações diplomáticas. No entanto, na minha visão, essas conversas tendem a terminar apenas de uma forma: com novas concessões por parte da União Europeia. Daqui a seis meses, Trump pode considerar que países como Portugal ou Espanha são estrategicamente relevantes para a segurança dos EUA e passar a exercer pressão política semelhante à observada anteriormente em relação ao Canadá. Assim, desta vez, a UE poderá ser forçada a escolher entre manter sua posição ou ceder e operar sob a liderança direta de Trump.
Sem dúvida, a economia europeia também sofrerá com tarifas adicionais, assim como a economia dos Estados Unidos será afetada por medidas retaliatórias. Ainda assim, é Trump quem continua a elevar as apostas neste confronto comercial. No ano passado, a demanda pelo dólar americano caiu de forma consistente em meio ao aumento das tarifas de importação impostas por seu governo. Em 2026, a história parece se repetir.
Do ponto de vista da teoria das ondas, o que pode estar se formando agora é a segunda onda de um novo segmento de tendência de baixa ou, alternativamente, a onda E de uma estrutura corretiva de alta.
Conclusões gerais
Com base na análise do EUR/USD, concluo que o par segue formando um segmento de tendência de alta. As políticas de Donald Trump e a condução da política monetária do Federal Reserve continuam sendo fatores estruturais relevantes no longo prazo que pressionam o dólar americano. Os alvos desse segmento de tendência podem se estender até a região de 2,5000. No entanto, para que esses níveis sejam alcançados, o mercado ainda precisa concluir a formação de uma onda 4 estendida. No momento, observa-se apenas a intenção do mercado de dar continuidade a essa onda; assim, um recuo de curto prazo em direção ao nível de 1,5000 permanece como um cenário plausível.
Em um intervalo de tempo menor, todo o segmento de tendência de alta torna-se visível. A estrutura de ondas, porém, não é totalmente padronizada, uma vez que as ondas corretivas apresentam tamanhos distintos. Por exemplo, a onda 2 de grau superior é menor do que a onda interna 2 dentro da onda 3 — uma configuração que, embora menos comum, também ocorre. Vale lembrar que, na prática, é mais eficiente identificar estruturas claras e coerentes nos gráficos do que tentar impor uma rotulagem rígida a cada onda. No estágio atual, a estrutura altista não levanta dúvidas relevantes.
Princípios fundamentais da minha análise:
- As estruturas de ondas devem ser simples e fáceis de entender. Estruturas complexas são difíceis de negociar e muitas vezes sinalizam mudanças.
- Se não houver confiança no que está acontecendo no mercado, é melhor ficar fora.
- Nunca há e nunca pode haver 100% de certeza sobre a direção do mercado. Não se esqueça de usar ordens de Stop Loss de proteção.
- A análise de ondas pode ser combinada com outros tipos de análise e estratégias de negociação.
