
O ouro encontra dificuldade para sustentar os modestos ganhos acumulados nos últimos dois dias, sendo negociado abaixo do nível de US$ 5.200. As tensões geopolíticas seguem no radar após o significativo reforço das forças navais e aéreas dos EUA no Oriente Médio, além da retórica do presidente Donald Trump em seu discurso à nação na terça-feira, no qual justificou a possibilidade de um ataque ao Irã ao afirmar que o "principal patrocinador do terrorismo" não deve possuir armas nucleares. Esses fatores, somados à incerteza em torno da política comercial, elevam a demanda pelo metal precioso como ativo tradicional de proteção.
Os EUA impuseram uma tarifa de 10% sobre todos os produtos, medida anunciada por Trump após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que barrou tarifas mais amplas, em substituição aos 15% prometidos anteriormente. No entanto, segundo um representante da Casa Branca, a administração se prepara para elevar as tarifas ao patamar de 15%, o que intensifica os receios de escalada das disputas comerciais, possíveis retaliações e interrupções nas cadeias globais de suprimentos. As declarações de Trump sobre tarifas mantêm elevada a cautela dos investidores e sustentam a procura por ouro.
Por outro lado, os participantes do mercado reduziram as apostas em um afrouxamento monetário agressivo por parte da Reserva Federal, após as atas de janeiro do FOMC indicarem que não há urgência para novos cortes de juros e mencionarem a possibilidade de aumentos caso a inflação permaneça persistente. Esse cenário mantém o dólar próximo das máximas mensais, limitando o potencial adicional de valorização do ouro.

O acordo entre EUA e Irã para dar continuidade às negociações nucleares reduz o risco de um cenário militar, o que limita o rali do ouro e recomenda cautela por parte dos compradores.
Hoje, para identificar melhores oportunidades de negociação, o foco deve recair sobre os dados do Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos EUA durante a sessão norte-americana, bem como sobre os comentários de membros-chave do FOMC, que podem estimular a demanda pelo dólar e definir a trajetória do XAU/USD antes do fim de semana.
O metal precioso acumula ganhos pela quarta semana consecutiva, e o pano de fundo fundamental sugere que eventuais correções tendem a ser encaradas como oportunidades de compra.
Sob a ótica técnica, no caminho em direção à máxima histórica, o ouro encontra resistências imediatas em US$ 5.200 e US$ 5.250. Um rompimento consistente desses níveis abriria espaço para novas altas. Por outro lado, caso o nível psicológico de US$ 5.000, onde passa a SMA de 20 dias não se sustente, os vendedores poderão ampliar posições. Ainda assim, enquanto os osciladores no gráfico diário permanecerem em território positivo, o caminho de menor resistência seguirá sendo o de alta.