
No início da nova semana, os preços do ouro avançaram diante da escalada dos riscos geopolíticos, após a intensificação do conflito no Oriente Médio e os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã. Inicialmente direcionada à eliminação do aiatolá Ali Khamenei, a operação acabou se expandindo para além do alvo inicial. Em retaliação, o Hezbollah atacou Israel, que respondeu com contra-ataques, enquanto Teerã lançou mísseis e drones contra Israel, países do Golfo e uma base aérea britânica próxima a Chipre.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a campanha militar avança conforme o planejado. "Estamos obtendo grandes resultados", declarou em entrevista à CNN. Questionado sobre possíveis prazos para a conclusão da operação, Trump indicou que a guerra poderia durar cerca de quatro semanas, acrescentando que os acontecimentos estão evoluindo "à frente do cronograma".
A escalada no Oriente Médio, somada à ausência de progressos nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, amplia a incerteza nos mercados e sustenta a demanda por ouro como ativo de refúgio. O avanço adicional dos preços também foi impulsionado pela disparada do petróleo, que intensifica as preocupações inflacionárias e fortalece o dólar. O Índice do Dólar dos EUA (DXY), que acompanha o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas, registrou alta.


Os participantes do mercado seguem confiantes de que o Fed realizará pelo menos dois cortes de juros em 2026.
Segundo dados do Institute for Supply Management (ISM), o PMI manufatureiro de fevereiro permaneceu acima do nível neutro, registrando 52,4 pontos, ante 52,6 em janeiro. O subcomponente Prices Paid avançou para o nível mais alto em três anos e meio, sinalizando o impacto das tarifas de importação sobre os custos de produção.
Analistas do BNP Paribas destacam que a demanda física por ouro continua sendo o principal motor do mercado neste ano. Os ETFs lastreados em ouro acumularam entradas equivalentes a cerca de 2 milhões de onças, e a expectativa é de que investidores chineses ampliem as compras em relação ao ano anterior.
Do ponto de vista técnico, o viés altista para o ouro permanece, mas a dinâmica recente de preços sugere realização de lucros por parte dos touros, já que o metal recuou das máximas de quatro semanas acima do nível redondo de US$ 5.400. O momentum segue positivo, conforme indicado pelo RSI (Índice de Força Relativa), que permanece em território favorável e distante de níveis de sobrecompra.
Caso o ouro rompa a máxima de quatro semanas, a próxima resistência encontra-se em US$ 5.455, seguida pelas máximas históricas na região de US$ 5.600.
Por outro lado, se o metal cair abaixo do nível redondo de US$ 5.300, o primeiro suporte relevante será a máxima diária de 27 de fevereiro, próxima a US$ 5.279, seguido por US$ 5.250. O próximo suporte situa-se no patamar psicológico de US$ 5.200.