
Esperamos que os formuladores de política do Fed mantenham a taxa de juros inalterada pela segunda reunião consecutiva, na faixa de 3,50%–3,75%. No entanto, é quase certo que debatam de que forma a guerra no Oriente Médio pode pressionar ambos os objetivos do seu mandato — e se uma resposta ao risco de desaceleração econômica não poderia, por sua vez, alimentar a inflação, que já supera a meta do Fed há cinco anos consecutivos.
Os mercados acompanharão de perto quaisquer indícios sobre a trajetória futura da política monetária. As preocupações com a inflação, alimentadas pelo conflito em curso e seu impacto nos mercados de energia, continuam sendo um fator-chave. Os investidores esperam que Powell esclareça se cortes de juros ainda permanecem uma possibilidade após sinais claros de desaceleração do crescimento neste ano. A incerteza em torno desse ponto aumenta a volatilidade dos mercados financeiros e torna o dólar menos atraente como ativo de refúgio.
A queda do dólar frente ao euro e à libra reflete uma mudança no apetite ao risco dos investidores. Qualquer abrandamento das tensões geopolíticas — ou ao menos a expectativa de estabilização, como sugerido por declarações de Trump — poderia favorecer essas moedas. Expectativas de uma postura mais branda do Fed também tornariam ativos denominados em euros e libras relativamente mais atrativos em comparação com ativos em dólares.
"Sempre que o duplo mandato do Fed o puxa em direções opostas, isso gera debate acalorado", afirmou a KPMG. "A realidade é que os EUA não podem se dar ao luxo de, como alguns outros bancos centrais, simplesmente ignorar a inflação, visto que já se passaram cinco anos e os riscos de inflação mais elevada aumentam a cada dia."
O Federal Reserve divulgará sua decisão às 14h00 (horário de Washington) na quarta-feira, com Powell concedendo uma coletiva de imprensa 30 minutos depois.
Outro ponto de atenção serão as novas projeções macroeconômicas. As autoridades divulgarão previsões atualizadas que podem mostrar como interpretam os dados recentes e os eventos geopolíticos. Os economistas agora projetam dois cortes de 25 pontos-base para este ano, ante apenas uma redução prevista em dezembro.
Vale lembrar que os dados mais recentes, divulgados após a reunião do Fed em janeiro, já indicavam inflação elevada nos EUA antes mesmo de o conflito no Oriente Médio impulsionar os preços do petróleo. Os dados de emprego (nonfarm payrolls) têm apresentado leituras mistas — um relatório robusto em janeiro foi seguido por uma queda inesperada em fevereiro. Na última atualização, o crescimento do PIB no quarto trimestre de 2025 foi revisado de 1,4% para 0,7%. Assim, as novas projeções oficiais para inflação, PIB e desemprego devem fornecer pistas sobre como os formuladores de política avaliam o impacto do choque do petróleo no horizonte mais longo.
Perspectiva técnica para EUR/USD
Os compradores agora precisam retomar o nível de 1,1550. Somente isso abrirá espaço para um teste de 1,1585. A partir daí, o par pode subir até 1,1610, mas será difícil alcançar esse nível sem o apoio dos grandes players. O alvo de alta mais distante é 1,1635.
No lado da queda, espera-se um interesse significativo dos compradores apenas em torno de 1,1520. Caso não haja compras nesse nível, o mais prudente seria aguardar uma nova mínima em 1,1485 ou considerar posições de compra a partir de 1,1440.
Perspectiva técnica para GBP/USD
Os compradores da libra precisam superar a resistência mais próxima em 1,3375. Apenas isso permitirá um avanço até 1,3410, acima do qual uma nova alta será difícil. O alvo de alta mais distante está em torno de 1,3440.
No lado negativo, os vendedores tentarão assumir o controle em 1,3350. Se conseguirem, o rompimento dessa faixa causará um forte impacto nas posições de compras e poderá levar o GBP/USD a 1,3320, com potencial de queda até 1,3300.