O pior já passou! É assim que o mercado interpreta o rápido rali das ações nos EUA após a notícia de uma trégua de duas semanas no Oriente Médio. Cerca de 400 dos 500 componentes do S&P 500 fecharam em alta. Apenas o setor de energia, pressionado pela queda do Brent e do WTI, ficou para trás.
O índice de volatilidade VIX registrou sua maior queda desde o episódio tarifário associado às medidas da Casa Branca no chamado "Liberation Day". O catalisador, assim como naquele momento, foi a estratégia TACO — "Trump Sempre Recua".
Desempenho dos índices de ações dos EUA

Desde que Donald Trump assumiu o cargo, o S&P 500 registrou dez ralis acentuados. Nove deles foram impulsionados pela estratégia TACO, proporcionando aos investidores um ganho acumulado de 52%. Se o investidor tivesse mantido posições em ações de forma contínua desde a posse até hoje, teria obtido apenas cerca de 12%.
Não é de surpreender que os investidores estivessem em alerta. Eles interpretaram as declarações de Trump sobre encerrar a guerra em 2–3 semanas, seguidas por ameaças de destruir uma nação inteira, como parte do jogo. A experiência mostra que o S&P 500 tende a subir na fase final desse processo — e foi exatamente isso que ocorreu.
Sim, as partes ainda estão distantes, mas ambas sinalizam algum interesse em um acordo. Isso já é suficiente para sustentar a narrativa de que o pior ficou para trás. É hora de comprar ações nos EUA.
Desempenho do S&P 500

A alta de seis dias do S&P 500 — a mais longa desde setembro — foi impulsionada pela mais rápida cobertura de posições de vendas por fundos de hedge no índice desde o início da pandemia, segundo o Goldman Sachs.
A CFRA avalia que os eventos podem seguir um padrão semelhante ao da década de 1990. Após a invasão do Kuwait pelo Iraque, o petróleo atingiu um pico em outubro de 1990. Três meses depois, o S&P 500 avançou 12,4%, em meio à desescalada e à queda do Brent.
Esse modelo parece aplicável ao cenário atual: manchetes sobre cessar-fogo e negociações já pressionaram para baixo os preços do petróleo do Mar do Norte. Poucos esperam uma retomada rápida da tendência de alta, o que abre espaço para novos avanços dos índices dos EUA.

Nem mesmo a firme intenção do Federal Reserve de manter as taxas de juros elevadas tem sido suficiente para conter o movimento. As atas da reunião de março do FOMC mostraram que os dirigentes estão genuinamente preocupados com o risco de uma inflação persistente. Isso reduziu as probabilidades de afrouxamento monetário em 2026 de 44% para 25% e pressionou os rendimentos dos Treasuries para cima. Se não fosse a estratégia TACO, o índice amplo provavelmente teria recuado. Os dados de inflação ao consumidor de março poderão alterar esse cenário.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário mostra que o S&P 500 rompeu com consistência acima das três médias móveis que compõem o indicador Alligator, de Bill Williams. Isso sinaliza domínio dos compradores e justifica o reforço das posições de compras abertas em 6.620. Os próximos alvos para novas entradas de compras são 6.890 e 6.950.