
Os preços do petróleo continuaram a subir pela terceira sessão consecutiva na quinta-feira, sustentados por dois fatores principais: o impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã e o agravamento das interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.
Segundo a Reuters, os contratos futuros do Brent avançaram 1,3% no início do pregão asiático, atingindo US$ 103,28 por barril. Na sessão anterior, o contrato já havia fechado acima de US$ 100 pela primeira vez em mais de duas semanas. Ao mesmo tempo, os futuros do WTI subiram 1,6%, para US$ 94,48 por barril.
Ambos os principais benchmarks encerraram a sessão anterior com ganhos superiores a US$ 3, refletindo a reação do mercado a dois fatores mais fortes do que o esperado: uma queda significativa nos estoques de gasolina e destilados nos EUA e a ausência de avanços nas negociações diplomáticas.
Nesse contexto, as expectativas de um acordo rápido seguem diminuindo. O presidente Donald Trump prorrogou o cessar-fogo com o Irã a pedido do Paquistão, mas o bloqueio naval dos portos iranianos pelos EUA, em vigor desde 13 de abril, permanece ativo.
De acordo com relatos, o vice-presidente J. D. Vance, que lideraria a delegação americana na segunda rodada de negociações em Islamabad, cancelou a viagem, enquanto o Irã nunca confirmou sua participação nas conversações.
Analistas destacam que "o mercado de petróleo está revisando suas expectativas diante da ausência de sinais de resolução no Golfo Pérsico" e que "as esperanças de uma solução para a crise diminuem à medida que as negociações entram em impasse".
Trump atribuiu o atraso à liderança "profundamente dividida" do Irã e afirmou que aguardará até que Teerã apresente uma proposta unificada.
A situação é agravada por uma nova escalada. Segundo a NPR e a mídia estatal iraniana, nos últimos dias a Guarda Revolucionária Islâmica atacou pelo menos três embarcações comerciais próximas ao estreito e apreendeu duas delas.
O Irã, por sua vez, acusa essas embarcações de operarem sem as devidas autorizações — poucos dias depois de acusar os EUA de "pirataria" pela apreensão do navio cargueiro iraniano Touska, em 19 de abril.
O Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20% do petróleo mundial diariamente antes do início do conflito, em 28 de fevereiro, encontra-se praticamente fechado à navegação comercial regular.
A International Energy Agency descreveu o atual cenário como "a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo".

Compensação de oferta pelos EUA: crescimento, mas não uma "solução completa"
Enquanto países asiáticos e europeus buscam urgentemente alternativas, as exportações de petróleo bruto e derivados dos EUA atingiram um recorde de 12,88 milhões de barris por dia. Esse volume representa um aumento de 137 mil barris diários em relação à semana anterior, segundo a Reuters.
As exportações de petróleo bruto, isoladamente, situam-se em cerca de 5,44 milhões de barris por dia em abril e 5,48 milhões em maio. De acordo com a Kpler, isso equivale a aproximadamente três vezes o volume de embarques para a Ásia no período pré-guerra.
Ainda assim, analistas alertam que mesmo um aumento expressivo das exportações dos EUA não é suficiente para compensar integralmente a perda dos fluxos provenientes do Golfo Pérsico. Além disso, mesmo em um cenário mais favorável, com uma eventual reabertura do estreito, o mercado pode não registrar alívio imediato: a U.S. Energy Information Administration projeta que o tráfego não retornará aos níveis pré-guerra antes do final de 2026.
Pontos principais para os traders
- Geopolítica vs. progresso: a ausência de passos confirmados rumo a um acordo e o cancelamento da viagem do negociador aumentam o risco de um "prêmio de escassez de oferta" prolongado.
- Oferta em tempo real sob pressão: a paralisação efetiva da navegação comercial no Estreito de Ormuz sustenta a demanda por proteção (hedge) e torna os preços mais sensíveis ao fluxo de notícias.
- Apoio macroeconômico e de estoques: a alta dos preços não é impulsionada apenas pelos desenvolvimentos regionais, mas também por sinais vindos dos EUA de queda nos estoques de gasolina e destilados.
- Compensação não é recuperação: as exportações dos EUA estão aumentando (12,88 milhões de bpd), mas o mercado espera que o retorno completo à normalidade seja adiado, no mínimo, até o final de 2026.
Em resumo, embora as exportações de petróleo bruto e derivados dos EUA tenham atingido um recorde de 12,88 milhões de barris por dia, os analistas acreditam que isso não compensará totalmente a perda dos fluxos do Golfo Pérsico. A previsão da EIA indica que não haverá retorno aos níveis de tráfego pré-guerra antes do final de 2026.