Após o pregão de ontem, os principais índices de ações dos EUA encerraram o dia com quedas acentuadas. O S&P 500 recuou 0,41%, o Nasdaq 100 caiu 0,19% e o Dow Jones Industrial despencou 1,13%.

Após um confronto entre os Estados Unidos e o Irã, que reacendeu as tensões no Oriente Médio e aumentou as preocupações com a inflação, os mercados acionários recuaram das máximas recorde, enquanto o dólar americano se fortaleceu. O índice MSCI Asia Pacific caiu 0,5% em relação ao fechamento recorde de segunda-feira, em meio a especulações de que o conflito com o Irã poderia escalar. O volume de negociação foi reduzido, já que Japão, China e Coreia do Sul estavam fechados devido a feriados. Mais cedo, os índices de Wall Street também recuaram após um rali do petróleo que levou o Brent de referência a ultrapassar US$ 115 por barril.
As tensões renovadas no Oriente Médio ameaçam trazer nova volatilidade aos mercados acionários, após um mês de ganhos em ativos de risco, que ajudaram os índices globais a recuperar perdas relacionadas ao conflito e atingir máximas históricas, impulsionados por resultados sólidos das maiores empresas de tecnologia.
Os eventos recentes na região podem afetar de forma significativa essa tendência positiva. O Oriente Médio continua sendo um ator-chave nos mercados globais de energia, e novas interrupções no fornecimento podem provocar aumentos adicionais nos preços da energia. Isso, por sua vez, pode reacender pressões inflacionárias e levar os bancos centrais a reavaliar seus planos de política monetária.
Os mercados acionários podem reagir a uma escalada com quedas imediatas. Investidores com maior apetite por risco podem começar a reduzir exposição a ativos mais voláteis e buscar proteção em instrumentos mais seguros, como títulos soberanos ou ouro. Isso pode desencadear uma correção e interromper a atual tendência de alta.
"Mesmo que o conflito imediato diminua, esperamos que seus efeitos sejam sentidos por algum tempo", afirmou o Wells Fargo. "É improvável que o impacto sobre os preços da energia, a atividade industrial e os prêmios de risco geopolítico desapareça rapidamente."
Na terça-feira, foram relatadas centenas de embarcações ao largo de Dubai, enquanto mais navios evitavam o ainda deserto Estreito de Ormuz, em resposta às tentativas iranianas de expandir sua zona de controle. Ainda assim, os EUA afirmaram ter garantido a passagem pela via marítima, e a CBS noticiou que dois destróieres americanos transitaram pelo Golfo Pérsico. Teerã não confirmou essas informações.
Ao mesmo tempo, os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de um ataque com drone que provocou um incêndio no porto de Fujairah e, pela primeira vez desde o cessar-fogo entre Washington e Teerã, emitiram vários alertas sobre possíveis ataques com mísseis.
Em outros mercados, o ouro registrou uma alta moderada, para cerca de US$ 4.550 por onça, à medida que surgiram sinais de que compradores que haviam acumulado posições durante a queda voltaram ao mercado, após a queda de 2% registrada na segunda-feira, provocada pela escalada do conflito.
Durante o pregão nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro recuaram ao longo de toda a curva, com a taxa de 30 anos caindo para 5%, ainda assim o nível mais alto desde julho.

Análise técnica do S&P 500
A principal tarefa dos compradores hoje é superar a resistência mais próxima, em 7.233. Isso sinalizaria um novo impulso de alta e abriria caminho para uma subida até 7.256. A superação de 7.283 reforçaria ainda mais as posições dos compradores.
No cenário negativo, caso o apetite por risco diminua, espera-se a entrada de compradores na região de 7.210. Uma quebra abaixo desse nível pode levar rapidamente o índice de volta a 7.190 e abrir espaço para uma queda até 7.174.