
Na quinta-feira, o ouro (XAU/USD) continuou sua recuperação gradual após o repique a partir da mínima de US$ 4.500 registrada no início da semana — o menor nível em mais de um mês. O metal acumula agora o terceiro dia consecutivo de ganhos. O momentum positivo permanece intacto, permitindo que os preços avancem em direção à região de US$ 4.750, próxima da média móvel simples de 100 dias (SMA).
As expectativas de um possível acordo de paz entre os United States e o Irã, juntamente com o enfraquecimento do tom hawkish em relação à política do Federal Reserve, têm levado os compradores de dólar a adotarem uma postura mais cautelosa, o que continua sustentando o metal precioso. Ainda assim, participantes do mercado com visão altista podem preferir aguardar sinais mais concretos sobre as perspectivas de um acordo entre EUA e Irã antes de ampliar posições de compradas.
Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez comentários otimistas, afirmando que as negociações avançaram nas últimas 24 horas e que as chances de um acordo com o Irã seguem elevadas. Além disso, a Axios informou que as partes estão na fase final das negociações. No entanto, a mídia estatal iraniana negou relatos de que um acordo "abrangente" já tenha sido alcançado. Segundo a Iranian Students News Agency (ISNA), as condições propostas pelos EUA incluem pontos anteriormente rejeitados por Teerã.
Ao mesmo tempo, a BBC informou que o Irã está avaliando um rascunho de memorando de entendimento com os EUA que prevê a retomada gradual da navegação pelo Estreito de Ormuz e a remoção de restrições americanas aos portos iranianos. Além disso, Trump alertou que a falta de um acordo poderá levar a uma ação militar "em um nível de intensidade significativamente maior do que o anterior".
Nesse contexto, os investidores seguem reavaliando as chances de um acordo diante das persistentes divergências sobre o programa nuclear iraniano, fator que continua limitando ganhos adicionais nos preços do ouro.
Do ponto de vista macroeconômico, o relatório ADP divulgado na quarta-feira mostrou que o emprego no setor privado dos EUA aumentou em 109 mil vagas em abril, após uma alta revisada para baixo de 61 mil no mês anterior. Os dados superaram as previsões e indicaram resiliência contínua — embora desigual — do mercado de trabalho americano. Além disso, segundo a ferramenta FedWatch da CME Group, os participantes do mercado ainda precificam a possibilidade de um aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve até o fim do ano. Isso sustenta o dólar americano, limitando novas perdas da moeda e restringindo o potencial de valorização do ouro, um ativo que não oferece rendimento.
No curto prazo, o foco do mercado estará nos pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA e nos discursos de membros do FOMC, que poderão influenciar o tom das negociações ao longo do dia. Ainda assim, o principal evento da semana continua sendo o relatório de folhas de pagamento não-agrícolas (NFP), que será divulgado na sexta-feira. Além disso, novos desdobramentos no Oriente Médio continuarão influenciando os níveis de volatilidade e moldando a tendência futura dos preços do ouro.
Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) entrou em território positivo, sinalizando que os compradores estão gradualmente ganhando vantagem. Ainda assim, eles precisam romper acima das médias móveis simples de 100 e 50 dias para fortalecer ainda mais sua posição. Por outro lado, caso os preços não consigam se manter acima da SMA de 20 dias, os vendedores poderão retomar o controle. Vale destacar também que a SMA de 200 dias continua inclinada para cima, confirmando a tendência altista de longo prazo.