O petróleo a US$100 por barril se tornará o novo normal? Embora os índices acionários tenham caído em março em resposta ao rali do Brent e do WTI, os mercados se ajustaram em abril e desde então avançaram rumo a níveis recorde. Os custos de energia estão elevados, mas as receitas são maiores ainda. Segundo a FactSet, 85% das empresas que divulgaram resultados do 1.º trimestre superaram as expectativas de lucro. O mercado encontrará uma forma de conviver com preços altos do petróleo.
Os investidores rapidamente se cansaram da geopolítica e se lançaram sobre as ações de tecnologia. A Alphabet é especialmente popular — sua capitalização de mercado agora se aproxima da da líder do setor, a NVIDIA.
Capitalizações de mercado das maiores empresas do mundo
O JPMorgan Chase argumenta que, além de fundamentos sólidos e lucros expressivos, outro fator estrutural vem impulsionando as compras generalizadas no setor de tecnologia: as recompras de ações. A atividade de recompra de ações já supera os níveis registrados no ano passado, funcionando como um importante fator altista para o mercado acionário.
O recuo do S&P 500 em relação às máximas históricas foi provocado pela retomada das hostilidades no Oriente Médio. O Irã retaliou os Estados Unidos após um petroleiro ser impedido de deixar o Estreito de Ormuz. Washington respondeu com ataques aos locais de onde os foguetes haviam sido lançados. O episódio aumentou a tensão entre os investidores, embora a Casa Branca não tenha classificado o incidente como uma violação formal do cessar-fogo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a ação iraniana, classificando-a como uma "piada", e afirmou que Washington respondeu rapidamente para conter a situação.
Atividades de recompra de ações por parte de empresas de tecnologia

A relutância da administração americana em reconhecer uma violação evidente do cessar-fogo por parte do Irã sugere que o pico dos confrontos pode já ter ficado para trás. O cenário-base do mercado continua sendo uma resolução diplomática do conflito, embora novos episódios de tensão geopolítica ainda sejam possíveis. Em linhas gerais, isso segue sendo positivo para os ativos de risco e para o S&P 500.
O forte rali do S&P 500 levou o modelo da Bloomberg a entrar em uma zona de euforia do mercado, com spreads corporativos de alto risco, volatilidade e correlações entre ativos emitindo sinais de alerta. Ainda assim, isso não significa necessariamente que o S&P 500 precise entrar em correção. Historicamente, quando sinais semelhantes apareceram entre 2012 e 2023, o índice superou o Russell 2000, composto por small caps.

O recuo a partir das máximas recorde pode simplesmente refletir uma realização de lucros antes da divulgação do relatório de emprego não-agrícolas (NFP) dos Estados Unidos referente a abril. Ironicamente, dados mais fracos do mercado de trabalho poderiam acabar sendo positivos para o índice amplo, já que aumentariam as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário mostra um movimento de correção após as máximas históricas, mas o viés geral continua sendo altista. Enquanto o S&P 500 permanecer negociado acima do valor justo de US$ 7.135, a estratégia tática segue favorecendo compras nos recuos.