Na próxima semana, o Banco da Inglaterra (BoE) realizará sua próxima reunião de política monetária, e as expectativas atuais do mercado apontam para a manutenção da taxa de juros nos níveis atuais. O principal fator que limita a atuação do banco central não é tanto o crescimento moderado da inflação, mas sim a rápida deterioração dos indicadores econômicos.
O índice PMI de maio mostra uma desaceleração perceptível da atividade econômica após o forte crescimento observado em abril. Particularmente preocupante é a acentuada queda do setor de serviços — a mais intensa dos últimos quatro anos. Em contrapartida, o setor industrial permanece relativamente estável, registrando crescimento consistente tanto da produção quanto das encomendas.
As vendas no varejo de abril refletiram uma piora no sentimento dos consumidores, registrando a maior queda mensal dos últimos doze meses. Além disso, em abril, o ritmo de perda de empregos se acelerou (-100 mil postos de trabalho), enquanto a taxa de desemprego atingiu 5,0%.

Todos esses indicadores são bastante preocupantes e limitam a capacidade do Banco da Inglaterra (BoE) de ajustar as taxas de juros. Embora a inflação de abril tenha ficado abaixo do esperado (a inflação subjacente continuou desacelerando e o impacto dos preços da energia ainda não se manifestou plenamente), esse cenário pode mudar nos próximos meses.
Os preços ao produtor já estão registrando forte crescimento tanto no setor industrial quanto no setor de serviços. Esse avanço supera significativamente os indicadores observados na Zona do Euro, criando condições para que essa pressão seja repassada aos preços ao consumidor em um futuro próximo.
Apesar dos frequentes apelos por uma elevação dos juros, o presidente do BoE, Andrew Bailey, mantém um discurso cauteloso. Ele admite a possibilidade de a inflação superar a meta estabelecida, citando a incerteza em torno dos impactos da guerra no Irã sobre a economia e o ritmo ainda fraco de crescimento econômico.
De forma geral, o cenário é bastante complexo. O Banco da Inglaterra precisa equilibrar a necessidade de combater a inflação com o risco de agravar uma desaceleração econômica que já se aproxima. Muitas dúvidas deverão ser esclarecidas na próxima semana, quando serão divulgados, em sequência, os relatórios de produção industrial, balança comercial, inflação ao consumidor e mercado de trabalho antes da reunião do BoE.
Comparando os desafios enfrentados pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra, os riscos para este último parecem claramente maiores. Isso sugere que o desempenho da libra esterlina tende a ser inferior ao do euro nos próximos períodos.
A posição líquida vendida (net short) na libra diminuiu durante a semana de referência para -4,4 bilhões, mas a vantagem dos vendedores permanece estável. Ao mesmo tempo, os cálculos de preço indicam uma probabilidade crescente de um movimento corretivo de alta para a moeda britânica.

Anteriormente, esperávamos que o par GBP/USD caísse até o nível de suporte de 1,3299. A libra ficou ligeiramente acima desse nível, e agora a probabilidade de um repique de alta aumentou; no entanto, não há fundamentos para uma valorização consistente. A resistência mais próxima está na faixa de 1,3440/50, onde uma retomada da pressão vendedora é possível.
Se o relatório de inflação dos EUA a ser divulgado na quarta-feira vier abaixo do esperado, o movimento de alta poderá se estender em direção a 1,3508. No entanto, não há fundamentos de longo prazo para uma reversão de alta; portanto, após a conclusão da correção, espera-se um novo impulso de baixa, com um novo teste da região de suporte entre 1,3299 e 1,3305.