Os dados divulgados hoje não proporcionaram nenhum apoio significativo ao euro. Seu impacto foi muito limitado.

O relatório mostra que o sentimento empresarial na Alemanha continuou sua recuperação gradual em junho, embora ainda seja cedo para classificá-la como robusta. O índice de clima de negócios do Ifo subiu para 85,6, ante 85,0 em maio (dado revisado), exatamente em linha com o consenso do mercado. Este é o terceiro mês consecutivo de melhora moderada após a queda para o menor nível desde outubro de 2022, registrada em abril. Ainda assim, a leitura atual continua sendo a mais fraca desde o início de 2025, refletindo com precisão a situação da maior economia da zona do euro.
A melhora foi impulsionada principalmente pela avaliação das condições atuais. Esse subíndice avançou para 87,0, contra 86,1 em maio, superando com folga a expectativa de 86,3. Em outras palavras, as empresas alemãs avaliam sua situação atual de forma mais favorável, o que representa um sinal encorajador.
As expectativas, porém, contam uma história mais cautelosa. O subíndice de expectativas subiu apenas para 84,1, ante 83,9 em maio (revisado), ficando abaixo da projeção de 85,1. Em resumo, as empresas se sentem um pouco melhor hoje, mas a confiança em relação ao futuro ainda é limitada.
A divergência entre uma avaliação mais sólida do presente e expectativas ainda enfraquecidas resume bem o momento atual. O presidente do Ifo destacou que as empresas estão menos preocupadas com as incertezas e mais esperançosas de que as tensões geopolíticas diminuam.
Em outras palavras, as expectativas de uma resolução do conflito com o Irã e da reabertura do Estreito de Ormuz vêm sustentando o sentimento empresarial, enquanto as encomendas continuam em queda na economia real.
Na indústria, as expectativas melhoraram de forma mais perceptível, mas os novos pedidos recuaram e a avaliação das condições atuais enfraqueceu ligeiramente. Já no setor de serviços, o sentimento avançou impulsionado por uma atividade corrente considerada satisfatória, enquanto as expectativas permaneceram praticamente inalteradas.

Curiosamente, os dados de hoje do Ifo seguem o mesmo padrão observado nos PMIs de ontem e na recente pesquisa ZEW. Vale lembrar que o índice ZEW de junho também registrou um salto expressivo nas expectativas, impulsionado pelas esperanças de uma solução diplomática, enquanto a avaliação das condições atuais se deteriorou.
O padrão é consistente em todas as divulgações: a Alemanha está sustentada por expectativas de uma resolução geopolítica que poderia finalmente reativar a economia, mas a demanda subjacente ainda é fraca demais para apoiar uma recuperação ampla e consistente. Trata-se de uma economia em um ponto de inflexão, no qual as expectativas avançam mais rapidamente do que os dados concretos.
O principal risco continua sendo a estagflação. Se a situação em torno do Estreito de Ormuz se prolongar, a Alemanha corre o risco de ficar presa entre um crescimento fraco e uma inflação persistente, impulsionada pelos elevados custos de energia. Vale notar que o PPI alemão, divulgado na semana passada, voltou a território claramente positivo pela primeira vez em um ano, registrando alta de 2,2% na comparação anual.
Esse dado sinaliza que a cadeia de suprimentos industrial já está repassando o aumento dos custos dos insumos aos preços ao consumidor.