Colhemos o que plantamos. Os Estados Unidos intensificaram seus ataques contra o Irã, atingindo, pela primeira vez desde a retomada do bloqueio dos portos, um petroleiro próximo ao principal terminal de exportação do país. O ataque, realizado nas águas do Golfo Pérsico, indica uma expansão da operação naval. Teerã respondeu com ataques contra bases norte-americanas no Kuwait e na Jordânia. Omã informou ter interceptado oito foguetes.
A lógica sugere que o EUR/USD deveria ter despencado diante dessa escalada. No entanto, o par está em alta, surpreendendo tanto os touros quanto os ursos.
Donald Trump ameaça atacar usinas e pontes no Irã até que o país reabra o Estreito de Ormuz, que se tornou o epicentro do conflito. No entanto, a República Islâmica não parece disposta a recuar diante das ameaças da Casa Branca.
À primeira vista, seria de esperar que o dólar norte-americano, como ativo de refúgio, estivesse comemorando essa "vitória". Na prática, porém, o mercado pensa de forma diferente: o principal fator por trás desse movimento não é a geopolítica, mas sim o Federal Reserve (Fed).
Dinâmica das expectativas de inflação nos EUA

A Oxford Economics resumiu as pressões inflacionárias que, na prática, nunca se materializaram: tarifas, os efeitos da inteligência artificial e o repasse da alta dos preços do petróleo para os bens de consumo. Nenhum desses fatores acelerou a inflação da forma temida pelo Federal Reserve. Na verdade, os efeitos de um choque nos preços do petróleo sobre a inflação podem demorar mais para se refletir do que se imaginava anteriormente.
As expectativas de inflação anual caíram abaixo da meta de 2% do Fed pela primeira vez desde as eleições de 2024. Os investidores apostam que Kevin Warsh conseguirá controlar rapidamente as pressões sobre os preços. Ao mesmo tempo, o mercado de derivativos alterou drasticamente suas expectativas em relação a uma possível alta de juros no fim do mês, apesar dos alertas do governador do FOMC, Christopher Waller, de que esse cenário continua sendo possível. Segundo o Deutsche Bank, o colapso das expectativas após a divulgação do CPI foi o segundo maior desde o relatório de inflação de 2008. Como Warsh se recusa a fornecer sinais antecipados sobre os próximos passos da política monetária, oscilações desse tipo correm o risco de se tornar a nova norma.
Dinâmica das expectativas do mercado relativamente à taxa de juro da Reserva Federal

Enquanto isso, o Goldman Sachs já não acredita em um enfraquecimento do dólar. O banco vem defendendo há bastante tempo que os juros mais elevados devem sustentar a moeda norte-americana frente às moedas de baixo rendimento e, desde março, revisou suas projeções nessa direção.
Agora, a instituição foi além e atualizou suas estimativas para o EUR/USD para 1,14, 1,12 e 1,12 nos horizontes de 3, 6 e 12 meses, respectivamente, abaixo das projeções anteriores de 1,14, 1,18 e 1,20. Na avaliação do Goldman Sachs, a força do dólar deverá persistir por um período prolongado. Ainda é cedo para falar em um colapso expressivo da moeda norte-americana.

Isso cria um paradoxo interessante. Por um lado, o cenário geopolítico sugere a venda do dólar norte-americano, já que a moeda estaria perdendo seu status de ativo de refúgio em meio a um conflito prolongado. Por outro, a incerteza em torno da política monetária favorece a compra da moeda, diante da possibilidade de novas surpresas hawkish por parte do novo presidente do Federal Reserve. Afinal, qual desses dois mercados estará correto quando Kevin Warsh voltar a surpreender os investidores?
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário, o EUR/USD testou o limite superior da faixa de valor justo entre 1,1370 e 1,1460. Se os compradores conseguirem sustentar o preço acima de 1,1460, aumentará o risco de continuidade da alta. Isso permitirá reforçar as posições compradas abertas a partir da região do limite inferior dessa faixa.