Há males que vêm para o bem. O conflito no Oriente Médio continua se intensificando há dez dias consecutivos; os Houthis ameaçam impor um bloqueio naval à Arábia Saudita, e o Brent acumula alta de cerca de 20% em julho. À primeira vista, tudo parece jogar contra o EUR/USD — afinal, o dólar americano deveria ser favorecido por seu status de ativo de proteção. No entanto, o principal par de moedas continua sem demonstrar sinais de queda.
Os Estados Unidos e o Irã vêm trocando ataques há dez dias consecutivos, enquanto os mediadores ainda não conseguiram restabelecer a trégua firmada em junho. Teerã insiste em exercer controle sobre as rotas de navegação, tornando a situação ainda mais complexa. Os Houthis, apoiados pelo Irã, ameaçam interromper as rotas marítimas de exportação de petróleo saudita, medida que poderia retirar do mercado milhões de barris destinados à exportação.
O Goldman Sachs não descarta a possibilidade de que o Brent ultrapasseUS$ 120 por barril no quarto trimestre, caso as interrupções no tráfego pelo Estreito de Ormuz persistam. No entanto, o banco ressalta que esse não é o cenário-base de suas projeções.
A alta dos preços do petróleo alimenta as expectativas de inflação nos Estados Unidos e, mais cedo ou mais tarde, poderáobrigar o Federal Reserve a discutir novos aumentos das taxas de juros— um fator que tende a favorecer o dólar americano.
Ainda assim, o euro encontrou um trunfo inesperado: a Alemanha.
Dinâmica do índice de expectativas ZEW da Alemanha

O índice de expectativas ZEW subiu para 26,3 em julho, ante 10,5 em junho, bem acima do consenso da Bloomberg de 15,3. Os investidores passaram a confiar nas reformas prometidas pelo chanceler Friedrich Merz, que afirma que tirará a maior economia da zona do euro de uma longa estagnação. O Ministério da Economia da Alemanha observa cautelosamente sinais de estabilização, ao mesmo tempo em que alerta que preços de energia mais altos continuarão a pressionar as empresas.
O Morgan Stanley mantém uma visão neutra a levemente otimista para o euro no curto prazo. O banco acredita que o BCE manterá em aberto a possibilidade de um aumento de juros em setembro, e o tom hawkish de Christine Lagarde na última coletiva reforçou essas expectativas. Um catalisador potencial pode ser o vencimento das tarifas dos EUA em 24 de julho — se Washington não substituir as medidas da Seção 232 e 301, a tarifa efetiva da Alemanha poderia cair mais de 3 pontos percentuais, o que seria significativamente melhor do que para muitas outras economias avançadas.

O resultado é um paradoxo: a geopolítica está favorecendo o dólar, enquanto a política doméstica em Berlim está dando suporte ao euro. Ao mesmo tempo, o diferencial entre as taxas de juros do BCE e do Federal Reserve continua diminuindo, o que, por si só, favorece os compradores do principal par de moedas. Qual dessas forças prevalecerá quando o mercado passar a precificar vencimento das tarifas e os dados de inflação da zona do euro referentes ao terceiro trimestre? Por enquanto, as forças permanecem equilibradas, e a consolidação do EUR/USD parece perfeitamente natural.
Do ponto de vista técnico, no gráfico diário, o principal par de moedas permanece consolidado na faixa entre 1,1375 e 1,1450. A estratégia de comprar nas quedas próximas ao limite inferior da faixa e vender próximo ao limite superior tem funcionado de forma consistente. Assim, faz sentido manter essa abordagem até que o EUR/USD rompa essa faixa de consolidação.