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FX.co ★ XAU/USD: O ouro ignora a fuga do risco e sobe acima de 4.100,00

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Forex Analysis:::2026-07-22T15:23:22

XAU/USD: O ouro ignora a fuga do risco e sobe acima de 4.100,00

XAU/USD: O ouro ignora a fuga do risco e sobe acima de 4.100,00

Veja também: Indicadores de negociação da InsstaForex para o XAU/USD

O ouro continua a surpreender o mercado, registrando a quarta sessão consecutiva de ganhos e mantendo-se confortavelmente acima do importante patamar psicológico de US$ 4.100,00. O XAU/USD acumula alta de quase 2,5% desde o início da semana e caminha para seu melhor desempenho semanal em mais de três meses, ignorando a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a alta dos preços do petróleo.

Durante a sessão europeia desta quarta-feira, o XAU/USD é negociado na faixa de US$ 4.110,00–US$ 4.130,00, consolidando-se após o recente rali. Um dos principais fatores por trás da alta foi a retomada dos confrontos entre os Estados Unidos e o Irã, que entraram na nona noite de ataques. O presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou a perspectiva de negociações imediatas com Teerã e ameaçou realizar ataques contra instalações nucleares, enquanto o Irã alertou para o risco de um conflito regional mais amplo.

XAU/USD: O ouro ignora a fuga do risco e sobe acima de 4.100,00

Ao mesmo tempo, os houthis apoiados pelo Irã anunciaram um bloqueio marítimo do Estreito de Bab el-Mandeb, obrigando vários petroleiros sauditas a retornarem no Mar Vermelho. Esses acontecimentos, juntamente com os ataques à costa russa do Mar Negro — por onde transita uma parcela significativa das exportações de petróleo do Cazaquistão —, criam sérios riscos para o abastecimento global de energia. Especialistas do mercado de petróleo observam que, se as atuais interrupções persistirem, o Brent próximo de US$ 91 por barril parece subvalorizado.

Petróleo, dólar e ouro: ruptura das correlações tradicionais

No modelo clássico, a alta dos preços do petróleo e a valorização do dólar americano costumam pressionar o ouro. No entanto, a situação atual demonstra uma ruptura nessa correlação.

Choque do petróleo: a alta dos preços do petróleo (Brent acima de US$ 91 por barril) tradicionalmente favorece o dólar porque fortalece a posição comercial dos Estados Unidos como exportador de energia. O dólar sobe, mas o ouro também: o índice do dólar americano continua firme, oscilando em torno de 101,00, enquanto o ouro não reage com a queda normalmente observada.

O ouro está recuperando seu status de ativo de refúgio: o metal avança apesar do fortalecimento do dólar e da alta dos rendimentos dos títulos públicos, sinalizando que os investidores voltam a utilizá-lo como proteção diante da escalada das tensões geopolíticas.

Pesquisas acadêmicas confirmam que a inter-relação entre ouro, petróleo e dólar se intensifica em períodos de crise, e que a volatilidade do dólar melhora as previsões de risco para o ouro e o petróleo. No entanto, a situação atual mostra que a arbitragem clássica entre esses ativos pode se romper quando o fator geopolítico se torna dominante.

Breve análise técnica

XAU/USD: O ouro ignora a fuga do risco e sobe acima de 4.100,00

Do ponto de vista técnico, o XAU/USD mantém uma tendência de alta no curto prazo, confirmando uma quebra da linha de tendência de baixa a partir das máximas do final de maio. No gráfico de 4 horas, o preço se mantém acima da zona de quebra, próxima a 4.020,00, e está se movendo em direção a níveis-chave de resistência em 4.160,00 (EMA 200) e 4.200,00 (nível psicológico). O preço também permanece acima da EMA de 50 períodos (4.054,00), o que reforça o impulso de alta no curto prazo.

XAU/USD: O ouro ignora a fuga do risco e sobe acima de 4.100,00

No entanto, o índice ainda se encontra abaixo das médias móveis de referência de 50 dias (4.230,00), 144 dias (4.370,00) e 200 dias (4.305,00), o que indica que a tendência de baixa mais ampla ainda não foi rompida.

Com base nisso, o cenário mais provável é uma consolidação volátil na faixa de 4.050,00 a 4.200,00, com uma tentativa de alta caso as tensões geopolíticas persistam e os dados de inflação dos EUA continuem fracos.

Principais eventos a serem acompanhados

- 23 de julho — Reunião do BCE. Previsão: taxa básica de juros deve permanecer em 2,25%. Impacto esperado: indireto, por meio da dinâmica do dólar e do euro.

- 23 de julho — Dados dos pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA. Impacto esperado: afeta as expectativas em relação à política do Fed.

- 28 a 29 de julho — Reunião do Fed. Previsão: taxa básica de juros deve permanecer entre 3,50% e 3,75%. Impacto esperado: sinais dovish = suporte para o ouro; hawkish = pressão.

- Durante a semana — evolução da situação geopolítica. Escalada = alta; acalmia = correção.

Principais pontos para acompanhar

1. Situação geopolítica no Oriente Médio. O conflito entre os Estados Unidos e o Irã entrou na nona noite consecutiva de ataques, e as ameaças do presidente Donald Trump de atingir instalações nucleares, juntamente com suas declarações de que os EUA "ainda não terminaram com o Irã", indicam que não há sinais de desescalada. Mediadores propuseram uma trégua de 10 dias, mas Trump rejeitou negociações imediatas. Qualquer novo desdobramento — seja uma escalada (ataques a instalações nucleares ou bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb) ou uma desescalada inesperada — poderá provocar oscilações de US$ 50 a US$ 100 no preço do ouro.

2. Interrupções no fornecimento de petróleo e preços da energia. As atuais interrupções afetam três rotas estratégicas: o Estreito de Hormuz, o Mar Vermelho (Bab el-Mandeb) e o Mar Negro (terminal do CPC, na Rússia). Navios-tanque sauditas estão retornando devido ao bloqueio imposto pelos houthis, enquanto as exportações do Cazaquistão por meio do CPC também estão sob risco. Especialistas do mercado de petróleo observam que, caso essas interrupções persistam até agosto, o Brent próximo de US$ 91 por barril poderá estar subavaliado. A alta do petróleo aumenta as pressões inflacionárias, o que tende a favorecer o ouro como proteção contra a inflação no longo prazo. No curto prazo, porém, também pode fortalecer o dólar e pressionar o metal.

3. Reunião do BCE (quinta-feira, 23 de julho). Embora não seja um fator diretamente determinante para o XAU/USD, o tom adotado pelo Banco Central Europeu (BCE) pode influenciar a dinâmica do dólar e os fluxos globais de capital. O mercado precifica a manutenção da taxa de juros em 2,25%, mas qualquer mudança na orientação futura (forward guidance) poderá alterar as expectativas para a política monetária da zona do euro e, indiretamente, influenciar o ouro.

4. Pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA (quinta-feira, 23 de julho). Esse indicador continua sendo importante para avaliar a situação do mercado de trabalho americano. Em conjunto com os recentes dados fracos de inflação, qualquer sinal de enfraquecimento do mercado de trabalho poderá reforçar as expectativas de uma pausa na política monetária do Federal Reserve, favorecendo o ouro. Por outro lado, dados fortes sobre os pedidos de auxílio-desemprego tenderiam a fortalecer o dólar e pressionar o metal.

5. Reunião do Federal Reserve (28–29 de julho). Este será o principal evento para o ouro nas próximas duas semanas. O mercado praticamente já precifica a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. O aspecto mais importante será a sinalização futura (forward guidance): se o Federal Reserve indicar uma pausa na política monetária, isso representará um forte catalisador para o ouro. Se, por outro lado, mantiver um discurso hawkish em meio aos riscos geopolíticos, poderá limitar o potencial de alta do metal.

6. Dados de inflação PCE dos EUA — na próxima semana. O índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE), medida de inflação preferida do Federal Reserve, será o próximo grande indicador macroeconômico. Um resultado fraco do PCE reforçaria as expectativas de uma pausa nos juros e daria suporte ao ouro. Já um PCE forte, especialmente se vier acompanhado da alta dos preços do petróleo, poderá reacender os temores de um novo aperto monetário e pressionar o metal.

Conclusão e recomendações para os investidores

O ouro encontra-se na interseção entre os riscos geopolíticos e as expectativas para a política monetária. O nível de 4.200,00 continua sendo o principal divisor de águas para a dinâmica dos preços no curto prazo. Nos próximos dias, o mercado concentrará sua atenção nos desdobramentos geopolíticos, nos dados de inflação dos Estados Unidos e na decisão do Federal Reserve (na próxima quarta-feira), que poderão fornecer novos sinais sobre o próximo movimento do metal.

Para traders de curto prazo: posições compradas tendem a ser favorecidas em caso de rompimento acima de 4.160,00, com alvos entre 4.200,00 e 4.300,00. Posições vendidas devem ser consideradas apenas em caso de rompimento abaixo de 4.050,00, confirmado por fatores fundamentais.

Para investidores de médio prazo: a recomendação é adotar uma postura de espera até que o cenário geopolítico e os dados de inflação dos EUA tragam maior clareza. Uma correção para a faixa de 4.000,00–4.050,00 poderá representar uma oportunidade de abertura de posições compradas, caso os riscos geopolíticos persistam e os fatores estruturais de suporte ao ouro — como a demanda dos bancos centrais e os déficits fiscais — permaneçam presentes.

Gestão de risco: mantenha cautela diante da elevada volatilidade provocada pelos eventos geopolíticos e pela divulgação de indicadores macroeconômicos. Utilize ordens de stop-loss rigorosas e acompanhe atentamente os acontecimentos no Oriente Médio e os comentários das autoridades do Federal Reserve.

Analyst InstaForex
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