
O ouro continua a apresentar uma queda moderada que teve início após atingir a maior cotação em mais de duas semanas. As preocupações com a inflação estão aumentando as expectativas de aumentos nas taxas de juros pelo Fed e pressionando o metal.
Hoje, quinta-feira, o ouro (XAU/USD) está atraindo vendedores, caindo abaixo do nível redondo de US$ 4.100 e recuando em relação à máxima de duas semanas registrada ontem. O aumento das tensões entre os EUA e o Irã está levando o petróleo a novas máximas para julho, alimentando preocupações com a inflação e aumentando as chances de aumentos nas taxas de juros pelo Fed.

Isso aumenta a pressão sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro, que permanecem próximos às máximas de vários meses — um fator desfavorável para os metais preciosos, que não geram rendimento.
Os EUA e o Irã vêm trocando ataques pela décima segunda noite consecutiva, enquanto os houthis, apoiados pelo Irã, no Iêmen, abriram uma nova frente ao declarar um bloqueio a uma rota marítima estratégica no Mar Vermelho, pela qual transitam cerca de 7% dos fluxos globais de petróleo. Isso aumenta ainda mais os riscos de interrupção no abastecimento em meio a uma queda acentuada nos tráfegos pelo Estreito de Ormuz e tem contribuído para a alta dos preços do petróleo desde o início do mês. Os investidores continuam preocupados com a possibilidade de que os preços mais altos da energia possam reacender a pressão inflacionária e forçar os bancos centrais a adotarem políticas monetárias mais restritivas.
A ferramenta FedWatch do CME Group mostra que os traders estão atualmente precificando a probabilidade de pelo menos um aumento da taxa de juros pelo Fed até o final do ano em mais de 90%. Essas expectativas sustentam a demanda pelo dólar americano durante a retração, o que é mais um fator que está desviando capital do ouro.
Ainda assim, é preciso ficar atento a novas ondas de vendas no mercado de ouro antes de concluir que a tendência de alta da semana chegou ao fim.
Analistas do Deutsche Bank observam que as mudanças nas expectativas em relação à política monetária foram acompanhadas por uma reavaliação significativa: os investidores agora esperam um aperto monetário equivalente a um aumento de 34 pontos-base até a reunião de dezembro, cerca de 2,3 pontos-base a mais do que as previsões anteriores. Essa reavaliação tem sustentado rendimentos reais mais altos nos EUA e desencadeado uma onda de vendas mais ampla ao longo da curva de rendimentos do Tesouro.
Quanto às oportunidades de negociação de hoje, fique atento à divulgação semanal dos pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA, que podem movimentar os mercados no início do pregão norte-americano. A reunião do BCE também está agendada e pode aumentar a volatilidade. Por fim, novos desdobramentos no Oriente Médio provavelmente criarão oportunidades de negociação de curto prazo no ouro.
Do ponto de vista técnico, o ouro encontrou suporte na média móvel simples (SMA) de 20 dias. Os osciladores estão negativos, mas próximos da neutralidade, sugerindo que os otimistas ainda estão resistindo, apesar da pressão persistente. A resistência está em US$ 4.145 — acima desse nível, os otimistas terão que enfrentar a máxima de julho. Para assumir o controle do mercado, eles precisarão, em última instância, ultrapassar a SMA de 200 dias.
