O preço do Brent subiu quase 4%, ultrapassando os US$ 87 por barril, compensando parcialmente uma queda de 16% nas últimas três sessões de negociação, que representou a maior queda desse tipo desde 2020.

Desde o início de julho, o preço de referência tem oscilado dentro de uma faixa de cerca de 32 dólares, o que evidencia a volatilidade excecional registada ao longo do mês. Atualmente, o contrato de setembro do Brent sobe 3,8%, para 87,24 dólares, depois de ter chegado a valorizar 4,8%, acima dos 88 dólares. Já o WTI para entrega em setembro avança 3,5%, para 82,02 dólares.
A subida dos preços foi desencadeada por uma nova vaga de hostilidades que comprometeu seriamente os esforços diplomáticos para pôr termo ao conflito, que já se prolonga há vários meses. A agência estatal iraniana IRIB News informou que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) lançou ataques com mísseis balísticos contra uma base aérea e um centro de comando dos EUA na Jordânia. O IRGC anunciou igualmente que intercetou e deteve três petroleiros, sem especificar os locais onde ocorreram os incidentes.
No entanto, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou ter intercetado um ataque iraniano "repentino" contra as forças norte-americanas, sem divulgar mais pormenores. Ao mesmo tempo, forças militares dos EUA, em conjunto com a Arábia Saudita, realizaram ataques contra grupos terroristas ligados ao Irão no Iraque, depois de o IRGC lhes ter ordenado que atacassem as tropas norte-americanas e as infraestruturas energéticas do reino. Riade confirmou a operação conjunta com os EUA, afirmando que os ataques foram realizados em legítima defesa.
A via diplomática continua bloqueada devido à questão por resolver do controlo sobre o Estreito de Ormuz. O Irão informou Omã de que a proposta de partilha do controlo da rota através do estreito, numa proporção de 50/50, não responde às preocupações da República Islâmica. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Garibabadi, declarou recentemente, à televisão estatal, que o canal de entrada deveria ficar inteiramente sob controlo iraniano, bem como parte do canal de saída. Esta posição de princípio torna praticamente impossível alcançar um compromisso com base nos termos propostos por Omã.
Muitos especialistas continuam altamente céticos quanto à possibilidade de os países estarem à beira de um avanço diplomático significativo capaz de resolver o impasse que desencadeou a guerra. Os dados relativos ao tráfego marítimo efetivo confirmam esse ceticismo: o trânsito visível através do Estreito de Ormuz permaneceu reduzido na manhã de quarta-feira.
Paralelamente à escalada das tensões, prosseguiram, em Washington, os esforços diplomáticos. O presidente Donald Trump reuniu-se com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, com o objetivo de evitar a retoma dos bombardeamentos. No entanto, após a reunião, Netanyahu afirmou manter-se cético quanto à possibilidade de se alcançar um acordo.

No que diz respeito ao panorama técnico atual do petróleo, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 83,56. Isso permitiria visar US$ 86,67, nível acima do qual será bastante difícil romper. O alvo mais distante ficará na faixa de US$ 89,54. Se o petróleo cair, os vendedores tentarão assumir o controle na marca de US$ 80,50. Se forem bem-sucedidos, romper essa faixa representaria um duro golpe para as posições dos compradores e empurraria o petróleo para uma mínima de US$ 78,70, com a possibilidade de cair para US$ 76,30.