
O par GBP/USD registou fortes ganhos nas últimas semanas, o que poderá marcar o início de uma tendência de alta. Contudo, a libra está atualmente a atravessar uma retração corretiva iniciada há duas semanas e que ainda não chegou ao fim. Na semana passada, o contexto fundamental não foi desfavorável para a libra, mas os ursos mantiveram-se na ofensiva ao longo de toda a semana. Nesta semana, a libra continuou a desvalorizar-se, apesar da ausência de notícias negativas provenientes do Reino Unido, enquanto o único relatório relevante dos EUA ficou aquém das expectativas. Infelizmente, o Imbalance de Alta 23 não conseguiu travar o avanço baixista, embora eu já tivesse observado que uma terceira reação ao mesmo padrão seria altamente invulgar.
Hoje à noite serão divulgados os resultados da reunião do FOMC, seguidos amanhã pela decisão de política monetária do Banco da Inglaterra. Ambos os eventos deverão gerar elevada volatilidade, e nenhum dos desfechos pode ser previsto com certeza. Mais precisamente, espera-se que ambos os bancos centrais mantenham a política monetária inalterada, mas os traders sabem que qualquer mudança de tom ou qualquer indicação de Andrew Bailey ou Kevin Warsh, bem como qualquer alteração na redação dos comunicados, poderá desencadear um movimento expressivo nos mercados.
A libra deverá esperar apoio do Banco da Inglaterra? Na minha opinião, não. O mais recente relatório de inflação do Reino Unido, referente a junho, mostrou uma desaceleração para 2,6% em termos anuais. Há poucas razões para o Banco da Inglaterra apertar a política monetária quando a inflação já está a abrandar sem medidas restritivas adicionais. Como resultado, a situação da libra poderá deteriorar-se ainda mais na quinta-feira, permitindo que os touros continuem a perder terreno.
Na semana passada, os preços do petróleo subiram para US$ 100 por barril, enquanto as consequências de uma nova escalada no Oriente Médio e do bloqueio do Estreito de Hormuz poderão empurrar os preços para US$ 120 por barril. Se os acontecimentos evoluírem de acordo com o cenário mais pessimista, é provável que o petróleo continue a subir e ultrapasse as máximas registadas entre março e maio. Nesse caso, a inflação tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido poderá voltar a acelerar. Em contrapartida, se a situação evoluir de forma mais favorável, os preços do petróleo poderão regressar à faixa dos US$ 60–70 por barril. Nessas circunstâncias, um novo aperto monetário por parte da Fed poderá revelar-se desnecessário, enquanto o Banco da Inglaterra já não enfrenta um problema inflacionário significativo. Assim, o dólar norte-americano ainda não pode contar com a postura hawkish da Fed como um suporte sólido, mas a libra também não dispõe de apoio por parte do seu próprio banco central.
A análise técnica indica que o avanço dos touros cedeu inesperadamente à renovada pressão dos ursos. Não foram formados padrões de baixa nem surgiram sinais técnicos antes do início da queda. O único suporte remanescente dos touros — Imbalance de Alta 23 — falhou. Como resultado, os ursos retomaram o controlo do mercado, e o Imbalance de Baixa 24 passa a constituir a principal zona a partir da qual poderão ser consideradas posições vendidas. Atualmente, não existem outros padrões técnicos.
Não foram divulgados indicadores económicos relevantes na quarta-feira. Assim, resta apenas aguardar o resultado da reunião da Fed, a conferência de imprensa de Kevin Warsh e a reação do mercado.
O contexto fundamental mais amplo continua a levar-me a antecipar uma fraqueza prolongada do dólar norte-americano no longo prazo. Nem mesmo o conflito entre o Irã e os Estados Unidos alterou essa perspetiva. A possibilidade de novas subidas das taxas de juro pela Fed em 2026 também não modificou esse cenário. As tensões geopolíticas recordaram ao mercado o estatuto do dólar como ativo de refúgio durante alguns meses, mas o conflito já ultrapassou a sua fase mais intensa. A Fed pretende aumentar as taxas de juro em 2026, o que favorece o dólar. No entanto, não se deve esquecer que uma política monetária mais restritiva tende a desacelerar tanto o crescimento económico como o mercado de trabalho. Além disso, Kevin Warsh foi nomeado por Donald Trump para liderar o FOMC com o objetivo de conduzir uma política monetária mais acomodatícia — algo que Jerome Powell era visto como relutante em fazer. Por isso, na minha opinião, qualquer valorização do dólar norte-americano tenderá a ser temporária, e não sustentável.
Calendário econômico dos Estados Unidos e do Reino Unido
- Reino Unido – Decisão sobre a taxa de juros do Banco da Inglaterra (11h00 UTC)
- Reino Unido – Resultado da votação do Comitê de Política Monetária (MPC) sobre a decisão da taxa de juros (11h00 UTC)
- Reino Unido – Declaração de Política Monetária do Banco da Inglaterra (11h00 UTC)
- Estados Unidos – Índice de Preços PCE (núcleo) (12h30 UTC)
- Estados Unidos – Taxa de crescimento do PIB no 2º trimestre (12h30 UTC)
- Estados Unidos – Renda e gastos pessoais (12h30 UTC)
- Reino Unido – Discurso do presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey (13h15 UTC)
O calendário econômico de 30 de julho inclui sete eventos programados, sendo que a reunião do Banco da Inglaterra e o discurso de Andrew Bailey devem ser os principais destaques. Consequentemente, o cenário econômico poderá exercer forte influência sobre o sentimento do mercado ao longo da quinta-feira.
Previsão e recomendações de negociação para o GBP/USD
Do ponto de vista de longo prazo, a perspetiva para a libra continua otimista, embora os touros ainda não tenham conseguido iniciar um movimento de alta sustentado. Após varreduras de liquidez abaixo das duas últimas mínimas de oscilação, os compradores impulsionaram um rali consistente, mas os vendedores retomaram inesperadamente o controlo do mercado sem qualquer catalisador evidente. Assim, o GBP/USD poderá continuar a cair em direção a 1,3007, nível cuja quebra invalidaria a tendência de alta de longo prazo.
No entanto, esse movimento exigiria novos sinais técnicos de baixa, que atualmente estão ausentes. Para os ursos, a zona entre 1,3392 e 1,3415 continua a ser crucial, pois contém o Imbalance de Baixa 24. Posições de vendas só devem ser consideradas dentro dessa zona de desequilíbrio. Neste momento, os touros não dispõem de sinais técnicos relevantes a seu favor.