O iene se valorizou após a decisão do Banco do Japão, embora a taxa básica de juros tenha permanecido inalterada. Imediatamente após o anúncio, a taxa de câmbio atingiu 157,12 ienes por dólar, antes de parte dessa valorização ser revertida.

Uma taxa de 1,25% era amplamente esperada, mas a redação da declaração acabou se tornando o principal destaque. Pela primeira vez, o Banco do Japão (BoJ) afirmou que a inflação subjacente atingiu a meta de 2% — o ponto de chegada de uma trajetória iniciada em 2013, quando foram prometidos estímulos maciços para alcançar esse objetivo em dois anos. A meta mostrou-se difícil de alcançar, e aumentos sustentados dos preços só voltaram a ocorrer quase uma década depois. A inflação subjacente não é medida por um único indicador, mas por uma combinação de preços ao consumidor e expectativas de inflação, ajustada por subsídios e outros fatores de curto prazo. Após décadas de deflação, as expectativas subiram lentamente, e Kazuo Ueda só reconheceu agora que a meta foi atingida.
A votação foi mais dividida do que em setembro. A decisão foi aprovada por 8 votos a 1, enquanto, em setembro, o placar havia sido de 7 a 2, com votos contrários dos membros *dovish* Asada e Sato. Desta vez, o conhecido *hawk* Hajime Takata votou contra a decisão e defendeu um aumento imediato dos juros. Isso indica que o equilíbrio no conselho se deslocou em direção a uma política monetária mais restritiva. Mais de 80% dos economistas agora esperam um novo aumento dos juros em dezembro, e o cenário-base prevê que o ciclo de alta termine em 2%, após três aumentos de 25 pontos-base, em dezembro, março e julho do próximo ano. Os dados divulgados ontem reforçaram essa perspectiva: o núcleo do índice de preços ao consumidor (IPC) do BoJ registrou alta anual de 2,4% em setembro, ante previsão de 1,9% e resultado de 1,8% em agosto.
O banco central também revisou suas projeções. A principal medida de inflação para o próximo ano fiscal, que começa em abril, passou a ser estimada em 2,6%, ante 2,4% na projeção divulgada três meses atrás. O principal motivo apontado foi a alta dos preços do petróleo, impulsionada pelo prolongamento do conflito no Oriente Médio. Para a autoridade monetária, isso representa uma mudança de foco: o objetivo já não é estimular a alta dos preços, mas garantir que a inflação não ultrapasse a meta.
O cenário político está mais tranquilo desta vez. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que antes da reunião de setembro enfatizava repetidamente a necessidade de novos aumentos dos juros, praticamente deixou de se manifestar sobre a política monetária japonesa. Ueda afirmou que não conversa com Bessent desde a reunião de ministros das Finanças do G20, em 1º de setembro.
O governo da primeira-ministra Takaichi declarou que o país já não precisa de uma política de estímulos reflacionários, e cerca de dois terços dos observadores avaliam que a resistência aos aumentos dos juros diminuiu. Após a decisão, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou esperar uma coordenação estreita entre o banco central e o governo.
"Espero que o Banco do Japão mantenha uma comunicação próxima com o governo e conduza a política monetária de maneira adequada, levando em consideração as condições econômicas, os preços e as condições financeiras, a fim de alcançar uma inflação de 2% de forma sustentável e estável", declarou.
Um novo aumento dos juros nesta reunião, após a elevação anterior, teria sido algo sem precedentes neste século e poderia ter provocado instabilidade nos mercados. Além disso, a taxa básica já se encontra no nível mais alto em 31 anos, embora ainda permaneça baixa em comparação com as taxas de outros países do G7.
Na minha avaliação, o iene ganhou uma base sólida para uma valorização gradual, pois o banco central reconheceu que a meta de inflação foi atingida, enquanto o conselho demonstra uma postura visivelmente mais *hawkish*. Se Ueda confirmar a disposição de continuar elevando os juros, sem enfraquecer as expectativas de um aumento em dezembro, o USD/JPY poderá recuar gradualmente.
No entanto, não espero um movimento brusco, pois a taxa básica de juros continua baixa, enquanto a força do dólar e os preços elevados do petróleo ainda atuam como fatores de contenção.