As sanções impostas por Washington contra vários países tiveram impactos inesperados. Inicialmente destinadas a prejudicar as economias desses países e a servir de exemplo para outros, essas medidas resultaram em consequências diferentes. A posição assertiva dos EUA abriu espaço para o surgimento de uma economia paralela global, que é vista por alguns como uma questão preocupante.
Analistas do The Wall Street Journal (WSJ) observam que as restrições e os controles de exportação impostos pelos EUA à Rússia, Irã, Venezuela, Coreia do Norte e China visavam limitar suas capacidades econômicas. No entanto, acabaram contribuindo para o desenvolvimento de uma economia subterrânea global. Isso levou os países afetados pelas sanções ocidentais a estabelecerem um bloco comercial paralelo. Especialistas apontam que esse bloco possui uma economia conjunta considerável, que pode desafiar os Estados Unidos em questões econômicas.
As medidas rigorosas de controle financeiro e comercial impostas à Rússia, Irã, Venezuela, Coreia do Norte e China resultaram em uma "compressão" de suas economias, limitando seu acesso a mercadorias e mercados ocidentais. Com o tempo, no entanto, esses países aprenderam a se adaptar às restrições e a buscar alternativas. O The Wall Street Journal destacou que, apesar das sanções dos EUA, esses países continuam a negociar ativamente diversos produtos, desde drones e mísseis até ouro e petróleo.
O WSJ também observa que esse bloco de países compartilha interesses comerciais comuns. Por exemplo, a China importa petróleo de três membros da OPEP, como Rússia, Irã e Venezuela, a preços competitivos. Por sua vez, esses países utilizam os lucros obtidos para adquirir produtos sancionados da China.
Alguns analistas apontam que os ganhos do comércio de petróleo da China apoiam as economias do Irã e da Rússia, enfraquecendo as sanções ocidentais. Além disso, o uso do yuan chinês em acordos comerciais por países terceiros dificulta o monitoramento de transações financeiras pelas autoridades ocidentais, o que torna a aplicação de sanções mais complexa.
Essa visão é contestada por representantes chineses, como Liu Pengyu, porta-voz da embaixada da China em Washington. Ele insiste que as relações econômicas e comerciais de Pequim com outros países são baseadas na igualdade e no benefício mútuo, e que são conduzidas de acordo com o direito internacional.
Atualmente, a Rússia enfrenta um alto número de sanções, superando o Irã nesse aspecto desde março de 2022. Enquanto isso, legisladores dos EUA estão debatendo a possibilidade de impor mais restrições econômicas à Rússia. Daleep Singh, conselheiro adjunto de segurança nacional para economia internacional no governo Biden, mencionou que os Estados Unidos poderiam aplicar um "embargo abrangente às exportações russas". Essa medida envolveria proibir ou restringir significativamente as exportações de produtos e recursos da Rússia para outros países. Isso abrangeria uma ampla gama de produtos, desde commodities como petróleo, gás natural e metais até produtos manufaturados e agrícolas. Singh justificou essa medida argumentando que a Rússia está ampliando suas atividades militares com os recursos obtidos através das exportações.