O Fundo Monetário Internacional (FMI) respira um suspiro de alívio cauteloso. Após meses de paralisia política e reconfigurações governamentais, a França finalmente encontrou um ponto de consenso: o compromisso com a consolidação fiscal. Por enquanto, isso é suficiente para manter os mercados tranquilos, embora o clima político em Paris continue instável.
De acordo com Alfred Kammer, diretor do Departamento Europeu do FMI, a França não está acionando sinais de alerta nos mercados de títulos. Os spreads de rendimento em relação aos papéis alemães permanecem contidos, e a liquidez no mercado de dívida soberana francesa segue estável. Em resumo, não há motivo para pânico.
Recentemente, Paris apresentou seu quadro orçamentário para 2026, propondo um déficit de 4,7% do PIB — ligeiramente mais restritivo do que a faixa habitual do país, entre 5% e 6%. Em uma rara demonstração de unidade, parlamentares de esquerda e de direita parecem concordar quanto à necessidade de reduzir a dependência da dívida. Embora o debate permaneça acalorado, a direção está mais clara: a era de viver endividado pode estar chegando ao fim.
Atualmente, Kammer não vê riscos fiscais imediatos que exijam mudanças imediatas de política. Isso dá à França espaço para discutir onde exatamente os cortes deverão recair: sobre aposentadorias, programas sociais ou investimentos em infraestrutura. O que mais importa para os investidores é a orientação comum em direção à redução do déficit.
Decisões difíceis ainda estão por vir. Qual setor suportará o maior peso da dor: o agrícola, o de tecnologia ou os campeões dos vinhos acessíveis de Bordeaux? Por enquanto, o FMI se mostra satisfeito com o fato de que a classe política francesa parece reconhecer aquilo que antes evitava: que déficits orçamentários crônicos não são apenas parte da cultura, mas também uma vulnerabilidade macroeconômica.