As novas tarifas abalariam os mercados financeiros. Analistas do ING, em seu relatório THINK Ahead, observaram que a ameaça de Donald Trump de impor tarifas de 100% sobre a China está injetando uma nova dose de adrenalina na recessão que se avizinha.
“O clima está estranho. Todo mundo está em pânico silencioso, e é justamente isso que está alimentando a recessão”,comentaram os especialistas do ING sobre o nervosismo que tomou conta dos bancos regionais.
Enquanto isso, o ouro vive seu momento de astro do rock: intocável e imbatível. O ING calcula que a tarifa média dos Estados Unidos pode disparar para 31%, superando os níveis históricos do chamado “Dia da Libertação”. Na prática, isso significa que importar bens pode, em breve, se tornar um esporte radical.
Curiosamente, desta vez os mercados realmente reagiram às ameaças de Trump, algo que não aconteceu nas rodadas anteriores de retórica tarifária. Um conjunto de dados econômicos surpreendentemente fortes também ajudou a agitar o cenário.
Lynn Song, economista do ING, destacou que a China tem demonstrado uma resiliência notável diante das tarifas de Trump: a demanda de outros países tem compensado a queda nas encomendas dos EUA, e os setores exportadores chineses agora são tratados como artigos de luxo de edição limitada.
Os economistas do ING projetam que os efeitos inflacionários do atual regime tarifário serão “mais brandos, porém mais duradouros”. Eles alertam que uma nova onda de inflação é inevitável, especialmente na indústria automobilística.
E, mesmo que as tarifas sejam consideradas ilegais, a Casa Branca ainda dispõe de mecanismos legais, como a Seção 122, que permitem aplicar tarifas menores, mas igualmente eficazes.