A Alemanha parece prestes a adotar uma expansão fiscal ousada em 2026, deixando de lado qualquer pretensão de modéstia. Em vez de apostar em cortes de impostos ou novos investimentos, o governo planeja estimular o crescimento por meio de um expressivo aumento nos gastos públicos.
Segundo estimativas do Barclays, o déficit orçamentário deve subir para 4,1% do PIB, enquanto a dívida pública alcançará 65,8%.
A economista Silvia Ardanuy e sua equipe afirmam que a expansão será significativa. O governo prevê um impacto de 1,6 ponto percentual no PIB, enquanto o Barclays projeta um efeito um pouco mais moderado, de 1,2 ponto percentual — ainda assim, um impulso considerável.
Após um breve período de “disciplina orçamentária” em 2024, a Alemanha parece pronta para abrir novamente as torneiras fiscais. A política fiscal deve se afrouxar em 0,5 ponto percentual em 2025, com uma expansão mais intensa esperada para 2026.
Grande parte desse aumento de gastos será destinada a benefícios sociais, que devem atingir 26,5% do PIB. Já os investimentos públicos terão apenas um leve acréscimo, de 0,15 ponto percentual. Em outras palavras, os gastos aumentam, mas sua eficiência econômica é questionável.
O Barclays observa que essa estrutura de despesas “não é particularmente favorável ao crescimento”, já que benefícios sociais geram retornos muito menores do que investimentos produtivos. Em suma, a Alemanha parece ter optado por conforto em vez de desenvolvimento para lidar com suas dificuldades econômicas.
As despesas totais continuarão crescendo até 2026, adicionando 1,3 ponto percentual ao PIB. Os aumentos devem se distribuir entre gastos sociais, custos correntes, transferências de capital e defesa — esta última recebendo €18 bilhões adicionais, o que elevará sua participação a 2% do PIB.
Paralelamente, as alíquotas do imposto de renda devem sofrer leve redução, principalmente devido aos benefícios concedidos a aposentados.
Um dos pilares do plano é a criação de um fundo especial de investimentos de €500 bilhões, com vigência até 2037. Embora o objetivo seja financiar “projetos de futuro”, analistas duvidam de sua eficácia, temendo que parte dos recursos acabe servindo apenas para cobrir lacunas orçamentárias existentes.
Na teoria, essa expansão fiscal poderia acrescentar entre 0,6 e 0,8 ponto percentual ao PIB. Porém, na prática, tudo dependerá de fatores externos: tarifas, tensões geopolíticas e, talvez, mais um inverno sem gás.
Como alertam os analistas, não há garantia de que a economia alemã crescerá tanto quanto o planejado. Uma coisa, no entanto, parece certa: o governo vai gastar até o último centavo.