A forte onda de vendas do dólar americano tende a se estender por um segundo ano consecutivo, reforçando a expectativa de que a moeda permaneça sob pressão em 2026, após o desempenho fraco observado em 2025.
No ano passado, o dólar recuou 9,4% frente às moedas do G10, segundo o índice DXY, registrando a segunda maior queda anual dos últimos 20 anos. Estrategistas do Bank of America analisaram episódios históricos mais comparáveis ao ciclo atual e constataram que, em quatro dos cinco casos mais semelhantes, a fraqueza do dólar persistiu no ano seguinte.
Em todos os principais paralelos históricos, a moeda americana apresentou quedas ainda mais acentuadas no segundo ano do ciclo. A média dos cinco exemplos mais relevantes aponta para uma desvalorização adicional de cerca de 8% em 2026.
O episódio de 1995 é considerado particularmente elucidativo para o cenário atual. Naquele período, a economia dos Estados Unidos vivia um crescimento impulsionado pela tecnologia, em um chamado “pouso suave”, enquanto o Federal Reserve iniciou cortes de juros no segundo semestre.
Em 1995, o dólar se desvalorizou 4,2%, desempenho próximo à projeção atual do Bank of America, que estima que o índice DXY possa cair para a região de 95 em 2026.
Por outro lado, 2018 surge como um ponto fora da curva entre os comparativos históricos. Naquele ano, o dólar se fortaleceu em meio às elevações de juros promovidas pelo Fed, às tensões comerciais entre Estados Unidos e China e ao crescimento fraco da zona do euro.
Apesar de uma recuperação modesta do dólar no fim de 2025, os analistas destacam que a moeda permanece inserida em uma tendência ampla de baixa frente às divisas do G10. Além disso, os mercados globais de ações iniciaram 2026 com desempenho superior ao das ações americanas.
Segundo os estrategistas, esse movimento merece atenção especial, uma vez que os fluxos para ações internacionais, juntamente com as operações de hedge associadas, podem se tornar um importante fator estrutural de pressão negativa sobre o dólar ao longo do próximo ano.