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FX.co ★ Exportações brasileiras de terras raras perdem a batalha pelas margens

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Forex Humor:::2026-02-17T13:28:50

Exportações brasileiras de terras raras perdem a batalha pelas margens

O Brasil, que detém quase um quarto dos recursos mundiais de terras raras, ainda atua como um player secundário no mercado global. Apesar de estimativas apontarem cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras no subsolo, sua participação efetiva na oferta mundial permanece abaixo de 1%.

A principal vantagem competitiva do país está nas argilas de adsorção iônica. Diferentemente dos depósitos em rocha dura, os elementos de terras raras nessas argilas estão fracamente ligados, o que, em tese, implica menor investimento inicial (CapEx) e processos de extração mais simples. O projeto Serra Verde já demonstrou a viabilidade comercial desse modelo e passou a impulsionar as exportações nacionais.

O grande obstáculo para que o Brasil se torne uma “superpotência das terras raras” é o monopólio tecnológico concentrado em Pequim. Atualmente, a China controla:

69% da produção de óxidos não separados;

100% da capacidade de separação de terras raras pesadas;

A maior parte da fabricação de ímãs e ligas de alta tecnologia.

A armadilha estrutural para as empresas brasileiras está na distribuição de valor ao longo da cadeia produtiva. A mineração do concentrado captura, em geral, apenas 10% a 20% do preço final do produto. As maiores margens concentram-se na separação e no refino (40% a 50%) e, posteriormente, na fabricação de ímãs (30% a 40%).

Sem capacidade própria de processamento, o Brasil permanece restrito ao papel de fornecedor de insumo de baixo valor agregado, na prática subsidiando o refino chinês.

Além da lacuna tecnológica, o setor enfrenta forte restrição de crédito. Diferentemente de várias jurisdições ocidentais, a legislação brasileira não permite que licenças de mineração sejam utilizadas como garantia. Isso torna os players locais altamente dependentes de capital estrangeiro.

Instituições estatais como o BNDES e a Finep lançaram programas de apoio a minerais estratégicos, mas as elevadas barreiras de entrada ainda excluem a maioria das empresas juniores.

O potencial geológico do Brasil é inegável, mas especialistas alertam que recursos, por si só, não garantem o status de fornecedor alternativo global. Enquanto o país não apresentar uma estratégia nacional integrada — conectando minas a plantas de metalização e à manufatura —, o “salto das terras raras” continuará sendo mais uma anomalia estatística nos relatórios do US Geological Survey.

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