O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, fez um pronunciamento à nação pedindo que os cidadãos suspendam a compra de ouro e reduzam o consumo de combustível por pelo menos um ano. Em seu discurso, Modi também recomendou evitar viagens internacionais “não essenciais” para aliviar a pressão sobre as reservas cambiais do país.
“Devemos evitar comprar joias de ouro, independentemente da ocasião”, afirmou o premiê. A iniciativa ousada busca conter o aumento do déficit comercial, agravado pelo conflito no Oriente Médio e pela disparada dos preços da energia. O ouro continua sendo a segunda maior importação da Índia, atrás apenas do petróleo, enquanto o país permanece como o segundo maior consumidor mundial do metal precioso.
Reação do mercado
O mercado acionário reagiu imediatamente ao apelo do governo, provocando forte queda no setor de joalherias. As ações da Titan Company recuaram 6,6% nas negociações em Mumbai. Já a Senco Gold despencou 10,8%, enquanto a Kalyan Jewellers caiu 9,5%.
Contexto econômico
A Índia enfrenta pressão crescente sobre sua moeda. O déficit energético e as interrupções nos embarques de petróleo pelo Strait of Hormuz estão pressionando a rúpia. Ao mesmo tempo, as importações de ouro já haviam sido restringidas por medidas administrativas impostas aos bancos, o que ajudou temporariamente a melhorar a balança comercial em abril.
Especialistas, porém, duvidam da eficácia do apelo de Modi, já que o ouro está profundamente enraizado na cultura financeira e religiosa indiana. O metal precioso é a principal forma de poupança para centenas de milhões de famílias, além de ser considerado indispensável em casamentos. Assim, a tentativa do governo de conter a demanda por um “porto seguro” em meio à crise geopolítica pode enfrentar forte resistência de uma população que, tradicionalmente, confia mais no ouro físico do que em títulos públicos.