A repressão do governo chinês, no setor tecnológico, fez as empresas buscarem brechas na legislação atual. É ilógico depender da leis no regime autoritário, mas pelo menos há uma chance de poupar tempo.
A fabricante chinesa de veículos elétricos, Li Auto, planeja contornar a proibição das autoridades em ofertas de ações. Ela busca listar suas ações na Bolsa de Hong Kong. A gestão da empresa pretende expandir sua base de investidores, embora as autoridades chinesas tenham proibido a listagem de ações, por empresas locais, em bolsas de valores estrangeiras sem uma verificação de cibersegurança. Se tudo for como o planejado, a fabricante de veículos também terá o cuidado de não sair do mercado dos EUA.
Essa é a segunda listagem da Li Auto. Em seu primeiro IPO na Nasdaq, a empresa lucrou $1,3 bilhões. Agora busca aumentar para HK$15 bilhões ($1,9 bilhões), listando 100 milhões de ações valendo HK$150 ($19,3) cada.
Porém, Beijing implementa mais medidas severas para grandes empresas tecnológicas da China. Recentemente, muitos empreendedores receberam sentenças, perdendo parcial ou completamente suas empresas, ou sendo obrigados a doar à caridade. Em junho, Wang Xing, o fundador de Meituan, precisou doar ações da empresa que valiam $2,3 bilhões. O motivo foi a investigação pelo serviço antimonopólio chinês. Ele descobriu um criticismo implícito do governo em um poema clássico publicado na rede social do bilionário. Em julho, o cofundador e CEO da Xiaomi, Lei Jun, doou ações de $2,2 bilhões para duas fundações de caridade.