O rendimento do título do governo brasileiro de 10 anos permaneceu acima de 13,8%. Isso ocorreu apesar de receitas melhores que aliviaram a pressão de financiamento de curto prazo, já que preocupações contínuas com a disciplina fiscal e a sustentabilidade da dívida mantiveram os rendimentos de longo prazo próximos das máximas de três meses. As receitas fiscais atingiram um recorde de BRL 2,89 trilhões em 2025. No entanto, os investidores permanecem cautelosos, observando que a meta de superávit primário depende de exceções contábeis e despesas fora do orçamento, o que pode converter o aparente superávit em um déficit real, desafiando, assim, o arcabouço fiscal. Essa incerteza é significativa para os rendimentos porque aumenta a probabilidade de aumento da emissão soberana em meio a um ano eleitoral acirrado, elevando o prêmio de prazo exigido pelos investidores, já que a dívida pública continua alta, aproximadamente 78% do PIB. Além disso, o ambiente de política agrava essas pressões, dado que se espera que o banco central mantenha uma taxa Selic restritiva por enquanto, com qualquer ação de flexibilização sendo antecipada apenas para mais tarde no ano. Isso sustenta taxas de juros reais altas e oferece alívio limitado para maturidades de longo prazo.