Os salários negociados na Zona Euro aumentaram 2,95% em termos homólogos no quarto trimestre de 2025, acima dos 1,89% revistos do trimestre anterior. Este movimento representa uma clara aceleração do crescimento salarial, embora permaneça bem abaixo do pico de 5,4% registado em 2024. A recuperação dos salários sustenta a posição do Banco Central Europeu de que não há necessidade imediata de novos cortes nas taxas de juro, uma vez que a trajectória atual dos salários continua compatível com uma redução gradual das pressões inflacionistas.
Após manter a sua taxa de depósito em 2% pela quinta reunião consecutiva, a presidente do ECB, Christine Lagarde, reiterou que a evolução dos salários será acompanhada de perto, dado o seu impacto na inflação dos serviços, que continua acima de 3%. O ECB antecipa que a inflação estabilize em torno da meta de 2% à medida que o crescimento dos salários abranda, mas alerta também que uma desaceleração mais gradual dos salários pode representar um risco em alta para a inflação.
Ao mesmo tempo, os decisores políticos mantêm-se cautelosos quanto ao risco oposto: um enfraquecimento demasiado acentuado do crescimento salarial. A inflação na Zona Euro caiu para 1,7% em janeiro e deverá manter-se em torno, ou ligeiramente abaixo, de 2% nos próximos anos, o que suscita preocupações de que um abrandamento excessivo dos salários possa penalizar em demasia a procura e prejudicar a recuperação.