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FX.co ★ Dividir para governar: megacercas que mudam a história

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News in Pictures:::2026-06-30T21:15:01

Dividir para governar: megacercas que mudam a história

Dragão de pedra da Ásia

A Grande Muralha da China é a estrutura defensiva mais monumental que a humanidade já construiu. Contando todos os seus ramais, seções restauradas e barreiras naturais de defesa, seu comprimento total atinge impressionantes 21.196 quilômetros. Sua construção começou já no século III a.C.. Feita de pedra, tijolo e terra compactada, a Muralha serviu durante séculos não apenas como um escudo militar, mas também como um rígido corredor de controle aduaneiro ao longo da Rota da Seda. Hoje, esse antigo monumento arquitetônico continua sendo o principal símbolo da perseverança humana, atravessando cadeias montanhosas e desertos por toda a China.

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Escudos brancos da China

No norte da China encontra-se o mais extenso complexo de barreiras funcionais do mundo — cercas de neve cuja extensão combinada atinge incríveis 60.000 quilômetros. Essas estruturas são feitas de madeira, metal e sebes vivas densas ao longo de estradas importantes. Sua função é estritamente física: reduzir a velocidade dos ventos fortes durante as intensas tempestades de inverno e evitar a formação de acúmulos de neve. Esse imenso “escudo climático” da China não apenas garante a continuidade da logística em invernos rigorosos, como também protege áreas agrícolas vizinhas contra o avanço da desertificação.

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Grande Cerca Australiana

A mais longa cerca contínua do mundo estende-se por 5.614 quilômetros através do árido interior da Austrália. Construída no final do século XIX, essa barreira de tela metálica foi originalmente concebida para conter a proliferação de coelhos. Posteriormente, foi ampliada e adaptada para proteger a lucrativa indústria de criação de ovinos contra o principal predador do continente — o cão selvagem conhecido como dingo. A estrutura literalmente dividiu o ecossistema australiano em duas partes. No lado protegido, milhões de cangurus, raposas e gatos ferais proliferaram, alterando o equilíbrio da flora e da fauna.

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A linha centenária do desespero

A Austrália já havia empreendido um projeto semelhante anteriormente. Durante muito tempo, o título de “Cerca nº 1” pertenceu a outra estrutura — uma das três linhas de cercas que, juntas, totalizavam 3.256 quilômetros e foram concluídas em 1907. O governo da Austrália Ocidental assumiu essa colossal obra de engenharia na tentativa de evitar uma catástrofe ecológica. No entanto, os coelhos mostraram-se mais rápidos e invadiram os territórios ocidentais antes mesmo da conclusão da construção. Ainda assim, grande parte dessa estrutura centenária de madeira e arame continua em uso até hoje, protegendo áreas agrícolas.

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A mais longa cerca fronteiriça moderna

A Índia construiu uma das barreiras fronteiriças mais extensas, fortificadas e tecnologicamente avançadas da história contemporânea, estendendo-se por 3.406 quilômetros ao longo da fronteira com Bangladesh. Essa gigantesca estrutura, composta por fileiras duplas de arame farpado, concreto e postes de aço, foi erguida para combater o contrabando, a imigração ilegal e a infiltração de grupos radicais. A barreira transformou a região fronteiriça em uma das zonas mais militarizadas da Ásia, alterando profundamente a vida das comunidades locais e interrompendo corredores de migração de elefantes.

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Barreira minada no deserto

O chamado Muro Marroquino, ou berm, é uma colossal estrutura defensiva com cerca de 2.700 quilômetros de extensão que divide o território do Saara Ocidental. Construído pelas forças armadas marroquinas na década de 1980, o berm (berma) consiste em altos aterros de terra e areia, reforçados por arame farpado, montes de pedras e trincheiras. A barreira foi criada para proteger as áreas administradas pelo Marrocos contra insurgentes. Sua principal tragédia é abrigar o maior campo minado contínuo do mundo, separando permanentemente os povos nômades de seus oásis ancestrais.

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A Grande Cerca Verde

No século XIX, as autoridades coloniais britânicas na Índia criaram uma das cercas mais incomuns da história: uma linha alfandegária com mais de 4.000 quilômetros de extensão. Em vez de arame e pedra, os britânicos plantaram uma cerca viva contínua e praticamente impenetrável. Foram utilizados arbustos espinhosos, ameixeira-da-índia, cactos e bambu para impedir o contrabando de sal, uma mercadoria fortemente tributada pelo Raj britânico. Após a saída dos britânicos, essa singular cerca viva espinhosa foi rapidamente engolida pela vegetação e arada pelos agricultores, sobrevivendo hoje apenas em mapas antigos.

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Cortina de ferro na fronteira entre dois mundos

A barreira na fronteira entre os Estados Unidos e o México tornou-se um dos elementos arquitetônicos e políticos mais debatidos do século XXI. Atualmente, diferentes cercas, muros metálicos e barreiras de malha cobrem mais de 1.000 quilômetros dessa fronteira sul. A estrutura é composta por enormes postes de aço de até nove metros de altura, fincados profundamente no solo para dificultar a escavação de túneis. O sistema é reforçado por uma “muralha virtual” formada por drones, sensores sísmicos e câmeras equipadas com inteligência artificial. Essa fronteira de aço também bloqueou rotas migratórias de pumas, jaguares e veados, alterando os ecossistemas naturais dos desertos norte-americanos.

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Da Cortina de Ferro ao singular Cinturão Verde

A fronteira entre a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental era um complexo letal e fortemente fortificado que se estendia por 1.393 quilômetros. Mais do que uma simples cerca, tratava-se de um sistema mortal composto por arame farpado cortante, dispositivos automáticos de disparo e estruturas de vigilância. O objetivo dessa instalação era promover o isolamento total da população da Alemanha Oriental e impedir qualquer tentativa de fuga para o Ocidente. A queda do Muro de Berlim, no final do século XX, tornou-se um símbolo mundial de liberdade. Hoje, a antiga zona de exclusão passou por uma impressionante transformação ecológica: as áreas fronteiriças abandonadas converteram-se em uma reserva natural única — o Cinturão Verde Europeu.

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