A queda de 4% do ouro ontem foi apenas um prelúdio de uma nova onda de pressão sobre o metal precioso. Hoje, observa-se a continuidade desse movimento, apesar das persistentes tensões geopolíticas no Oriente Médio. O principal fator por trás dessa dinâmica foi a decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros inalteradas e adotar um tom mais hawkish em relação à condução futura da política monetária.

A decisão do Fed teve um impacto muito mais significativo nas cotações do ouro do que a escalada do conflito no Oriente Médio. Em um ambiente em que o banco central da maior economia do mundo está determinado a combater a inflação mantendo as taxas de juros elevadas, a atratividade do ouro como ativo de refúgio diminui. Os investidores passam a preferir instrumentos de menor risco e com maior rendimento, como os títulos públicos, cujos yields sobem em linha com as taxas de juros.
Além disso, o fortalecimento do dólar americano exerce pressão adicional sobre os preços das commodities, incluindo o ouro. Como o metal é cotado em dólares, seu custo para detentores de outras moedas aumenta à medida que a moeda americana se valoriza. Esse movimento, impulsionado pela postura hawkish do Fed, torna o ouro mais caro para investidores estrangeiros, reduzindo a demanda e, consequentemente, os preços. Assim, a combinação desses fatores — a decisão do Fed e o fortalecimento do dólar — explica a atual dinâmica negativa do ouro.
Ontem, o Federal Reserve manteve as taxas de juros no nível atual durante sua última reunião, projetando apenas um corte neste ano. O presidente Jerome Powell destacou que será necessário progresso consistente na redução da inflação para que cortes possam ocorrer.
"O fortalecimento do dólar e o aperto generalizado da política monetária nas economias desenvolvidas criam uma trajetória de curto prazo incerta para o ouro", afirmou a ABC Refinery Australia Pty. "No entanto, se a inflação subir mais rapidamente do que as taxas de juros, a queda das taxas reais pode favorecer o ouro no médio prazo."
Apesar disso, o preço do metal precioso ainda se encontra cerca de 12% acima do início do ano, embora o ímpeto de alta tenha arrefecido nas últimas semanas, à medida que as expectativas de cortes de juros no curto prazo enfraqueceram e alguns investidores venderam ouro para cumprir exigências de margem em outros ativos de suas carteiras.

Em relação ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam superar a resistência mais próxima em US$ 4.835. Isso permitirá buscar o nível de US$ 4.893, acima do qual a quebra pode ser bastante desafiadora. O próximo alvo estará próximo de US$ 4.975. Em caso de queda nos preços, os vendedores tentarão assumir o controle do nível de US$ 4.771. Se tiverem sucesso, o rompimento dessa faixa dará um golpe significativo nas posições de compras e poderá levar o ouro a uma mínima de US$ 4.708, com a possibilidade de atingir US$ 4.647.