
O GBP/USD registrou um forte rali nas últimas semanas, que pode marcar o início de uma nova tendência de alta. Os vendedores não conseguiram retomar o controle nesta semana, apesar de duas novas escaladas no Oriente Médio e da atual suspensão das negociações. Donald Trump já revogou a autorização que permitia ao Irã vender petróleo ao abrigo do acordo de paz e impôs um bloqueio aos portos iranianos. Em resposta, o Irã voltou a fechar o Estreito de Hormuz do seu lado. Como resultado, o cessar-fogo e as negociações de paz efetivamente chegaram ao fim.
Ainda assim, os traders não acreditam que a guerra vá recomeçar, pois situações semelhantes já ocorreram diversas vezes no passado, e ambas as partes acabaram retornando à mesa de negociações. O mercado praticamente ignorou a deterioração do cenário geopolítico, o que, a meu ver, é justificável. Nesta semana, os compradores receberam um impulso inesperado depois que a inflação nos Estados Unidos caiu para 3,5%. Posteriormente, Kevin Warsh evitou assumir perante o Congresso o compromisso de que o Federal Reserve promoveria um aperto da política monetária, provocando uma nova onda de fraqueza do dólar americano. Como resultado, já não há certeza de que o Fed iniciará um ciclo de aperto monetário sequer em setembro. Além disso, até lá deverá estar mais claro como evoluirá o conflito no Oriente Médio, em que nível estarão os preços do petróleo e do gás natural na entrada do inverno e como a inflação reagirá ao novo ambiente geopolítico e energético. Portanto, não estou convencido de que o Federal Reserve necessariamente promoverá um aperto da política monetária em 2026.
Também vale notar que o mercado inicialmente esperava que a inflação dos Estados Unidos continuasse subindo, a menos que o FOMC interviesse. Posteriormente, os riscos inflacionários diminuíram quando o petróleo recuou para US$ 70 por barril. Nesta semana, porém, o petróleo voltou a subir para US$ 87, e a mais recente escalada no Oriente Médio, juntamente com o bloqueio do Estreito de Hormuz, pode levar os preços ainda mais para cima. No cenário mais pessimista, o petróleo poderia retornar à faixa de US$ 100 a US$ 120 por barril. Nesse caso, as esperanças de desaceleração da inflação, tanto nos Estados Unidos quanto na Zona do Euro, desapareceriam rapidamente. Em um cenário mais otimista, os preços do petróleo poderiam voltar à faixa de US$ 60 a US$ 70 por barril, reduzindo a necessidade de um novo aperto da política monetária.
A análise técnica indicava potencial de alta até o nível de 1,3322, o que de fato ocorreu. O preço primeiro realizou uma varredura de liquidez abaixo da mínima de 6 de abril e, em seguida, abaixo da mínima de 31 de março. Essas varreduras forneceram fundamentos sólidos para esperar novos ganhos da libra esterlina. Considerando que o dólar americano ainda não dispõe de vetores consistentes para sustentar uma tendência de alta de longo prazo e já acumulou um rali expressivo em 2026, acredito ser improvável que os vendedores retomem o controle. Além disso, na semana passada formou-se o Desequilíbrio Altista 23, ao qual o preço reagiu duas vezes. Já o Desequilíbrio Baixista 21 foi invalidado. Portanto, espero a continuação do rali da libra ou o surgimento de novos sinais altistas, seguidos por mais um movimento de alta após uma retração corretiva.
No momento, o mercado permanece extremamente cauteloso diante de qualquer manchete relacionada à geopolítica. Caso Irã e Estados Unidos retomem efetivamente a guerra, os vendedores poderão lançar uma nova ofensiva. No entanto, poucos participantes do mercado atualmente consideram esse cenário provável. Assim, o único fator realmente relevante que ainda sustenta os vendedores é a possibilidade de um novo aperto da política monetária por parte do FOMC.
O calendário econômico de quarta-feira teve apenas um impacto limitado sobre o mercado. Nem o Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos nem o segundo dia do depoimento de Kevin Warsh perante o Congresso provocaram uma reação significativa dos investidores. A libra continua demonstrando potencial para novas valorizações.
De modo geral, o cenário fundamental continua me levando a esperar uma fraqueza estrutural de longo prazo do dólar americano. Nem o conflito entre Irã e Estados Unidos nem a perspectiva de um aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve em 2026 alteraram essa visão. As tensões geopolíticas apenas relembraram temporariamente ao mercado o papel do dólar como ativo de refúgio, mas o conflito já parece ter superado sua fase mais intensa. O Federal Reserve ainda pretende elevar os juros em 2026, o que, em princípio, favorece o dólar. No entanto, uma política monetária mais restritiva também tende a desacelerar o crescimento da economia americana e enfraquecer o mercado de trabalho. Convém lembrar ainda que Kevin Warsh foi nomeado por Donald Trump para liderar o FOMC justamente porque se esperava que adotasse uma política monetária mais acomodatícia do que Jerome Powell. Por isso, acredito que qualquer valorização do dólar americano será provavelmente temporária e impulsionada por fatores de curto prazo.
Calendário de Notícias para os Estados Unidos e o Reino Unido:
Estados Unidos
- Vendas no Varejo (12:30 UTC)
- Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego (12:30 UTC)
O calendário econômico de 16 de julho contém dois eventos programados, e não considero nenhum deles particularmente importante. Portanto, espera-se que o impacto das divulgações macroeconômicas sobre o sentimento do mercado seja limitado e fique restrito à segunda metade do dia.
Previsão e dicas de negociação para o GBP/USD:
A perspectiva de longo prazo para o GBP/USD permanece altista. Após as varreduras de liquidez abaixo das duas mínimas mais recentes, os compradores recuperaram a iniciativa. A libra ainda pode retomar sua queda em direção ao nível de 1,3007, que invalidaria a tendência de alta, mas isso exigiria o surgimento de novos sinais baixistas.
O Imbalance de Baixa 21 já foi invalidado, de modo que, no momento, não há uma fonte clara para esse tipo de sinal. Em contrapartida, as duas varreduras de liquidez e o Imbalance de Alta 23 continuam sustentando o cenário de alta. O preço já reagiu ao Imbalance 23, e os próximos alvos de alta para a libra são as máximas de 1º de maio e 27 de janeiro, em 1,3656 e 1,3867, respectivamente.