O Bitcoin e o Ethereum continuam sendo negociados próximos das mínimas dos últimos doze meses e ainda passam por um processo de correção. Nas últimas três semanas, ambas as criptomoedas conseguiram registrar uma recuperação modesta, mas ainda não há sinais de que a tendência de baixa iniciada no ano passado tenha chegado ao fim.
O cenário fundamental continua desfavorável para o mercado de criptomoedas e se reflete, principalmente, na fraca demanda no mercado à vista (spot), na saída de capital para o setor de inteligência artificial (IA) e no compromisso do Federal Reserve de levar a inflação de volta à meta de 2%, o que sugere, no mínimo, a manutenção de uma política monetária restritiva. Dessa forma, ainda não vemos fundamentos que sustentem uma valorização prolongada do Bitcoin e do Ethereum.
Enquanto isso, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou que, ao longo de seus mais de 15 anos de existência, o Bitcoin não conseguiu se tornar uma alternativa global às moedas fiduciárias nem um meio de pagamento. Segundo Armstrong, essa era, de fato, a principal ideia de Satoshi Nakamoto, mas ela não se concretizou.
Atualmente, as stablecoins, como o USDT, cumprem muito melhor o papel de "dinheiro digital", enquanto o Bitcoin consolidou sua posição como "ouro digital". No entanto, esse status deve ser corretamente compreendido. O ouro é utilizado como instrumento de investimento, e não como meio de pagamento. O mesmo se aplica ao Bitcoin: ele é adquirido na expectativa de valorização futura, e não para pagar um café na Starbucks. Assim, o Bitcoin não conseguiu se tornar um sistema de pagamentos e, provavelmente, também não conseguirá desempenhar esse papel no futuro.
O principal obstáculo para que o Bitcoin se torne um sistema de pagamentos é sua oferta limitada. Os investidores sabem que o número de moedas é finito e, por isso, preferem acumulá-las em vez de gastá-las. Já os tokens atrelados ao dólar, como as stablecoins, desempenham melhor a função de "dinheiro digital", pois seu valor permanece estável e sua oferta não é limitada.
Segundo Brian Armstrong, o Bitcoin e as stablecoins cumprem funções distintas e podem coexistir perfeitamente.
Recomendações para negociar o BTC/USD:
O Bitcoin continua a formar uma tendência de baixa bem definida. Continuamos a esperar uma queda com alvo de US$ 57.500 (o nível de Fibonacci de 61,8% de uma tendência de alta de três anos), embora esse nível já tenha sido, na prática, testado. No entanto, não acreditamos que a tendência de baixa vá terminar aqui. A última formação FVG de baixa ocorreu na faixa de US$ 68.000 a US$ 70.700 no gráfico diário; portanto, essa faixa serve como ponto de interesse (POI) para posições de vendas nas próximas semanas. No gráfico de 4 horas, o Bitcoin continua sua segunda onda de correção, mas as operações de venda continuam mais atraentes, já que qualquer alta neste momento é, por natureza, uma correção.
Recomendações para negociar o ETH/USD:
No gráfico diário, a tendência de baixa que teve início em agosto do ano passado continua. O principal padrão para vendas continua sendo um bloco de ordens de baixa no gráfico semanal. Não acreditamos que a atual tendência de baixa tenha chegado ao fim, já que não há sinais de sua conclusão, nem para o Bitcoin nem para o Ethereum. O preço saiu do canal lateral, portanto, pode-se considerar que o movimento lateral chegou ao fim. A expectativa é de uma nova onda de correção após a formação de um sinal de compra no gráfico de 4 horas, no último FVG de alta. No gráfico diário, recomendamos aguardar a conclusão da correção e que o FVG de baixa para o Bitcoin se concretize, em vez de operar contra a tendência.
Explicações sobre as ilustrações:
- CHOCH – mudança na estrutura da tendência.
- Liquidez – inclui stop losses e ordens pendentes que os formadores de mercado utilizam para construir suas posições.
- FVG – área de ineficiência de preço. O preço atravessa essas áreas muito rapidamente, indicando uma ausência total de um dos lados no mercado. Posteriormente, o preço tende a retornar e reagir a essas áreas, dando continuidade à tendência principal.
- IFVG – área invertida de ineficiência de preço. Após retornar a tal área, o preço não reage a ela, mas a rompe impulsivamente, testando-a em seguida pelo outro lado.
- OB – bloco de ordens. A vela na qual o formador de mercado abriu uma posição para absorver liquidez, a fim de formar sua posição na direção oposta.

