
O par EUR/USD perdeu cerca de 100 pontos nos últimos cinco dias. Eu não chamaria a queda de "forte", mas ela ocorreu dia após dia. Curiosamente, o dólar começou a se fortalecer acentuadamente na quinta-feira passada, quando o BCE tomou uma decisão claramente hawkish que deveria ter permitido aos touros continuar avançando. Aos touros, não aos ursos. No entanto, no momento mais crítico, os touros recuaram novamente e praticamente desistiram, sem oferecer resistência.
Vale lembrar que a principal razão para a força atual dos ursos é a reunião do Fed, na qual os traders esperam um aperto da política monetária. Persiste um debate acalorado no mercado sobre se Kevin Warsh conseguirá se distanciar da Casa Branca e do próprio Donald Trump, que o nomeou presidente do FOMC, e tomar a decisão de apertar a política monetária. Também há a questão de saber se faz sentido elevar os juros especificamente em setembro. Na minha opinião, a questão agora deveria ser se o dólar não deu um falso início e se o mercado não começou a comprar dólares de forma excessivamente agressiva e sem justificativa suficiente. Sem dúvida, o aperto da política do FOMC é um fator altista para a moeda americana, mas, ao mesmo tempo, o dólar já vem subindo há cinco dias. Isso não seria uma reação excessiva a uma decisão hawkish do Fed que sequer foi anunciada? Isso cria um quadro interessante: o Fed nem sequer anunciou sua decisão, nenhum trader sabe quanto os juros poderão subir nos próximos meses ou anos, e ainda assim o dólar sobe como se o Fed fosse o único banco central a elevar os juros, enquanto todos os demais apenas os reduziriam.
No geral, na minha opinião, o cenário informativo continua favorecendo os touros. Em primeiro lugar, vê-se claramente em qualquer gráfico que a moeda europeia iniciou sua alta a partir de níveis relativamente baixos ao longo do último ano, em comparação com o preço médio do mesmo período. Isso significa que ainda há potencial de alta. Em segundo lugar, o mercado continua questionando se a política monetária do FOMC permanecerá apertada por um período prolongado. Em terceiro lugar, os dados econômicos dos EUA têm sido, recentemente, em sua maioria decepcionantes. Em quarto lugar, os desdobramentos geopolíticos já não estão mais apoiando os ursos e o dólar. Em quinto lugar, o BCE já apertou a política monetária duas vezes em 2026. Em sexto lugar, o Tesouro dos EUA decidiu aumentar suas compras de títulos de longo prazo, o que reduz a demanda pelo dólar. Em sétimo lugar, começou uma guerra comercial entre os EUA e o Canadá. Em oitavo lugar, o mercado de trabalho dos EUA em 2026 está apenas ligeiramente melhor do que em 2025. Portanto, atualmente não vejo motivos para um movimento de baixa.
O padrão atual do gráfico indica que o momentum altista foi rompido, embora o movimento ainda possa se sustentar. O imbalance de alta 21 proporcionou uma excelente oportunidade para os touros darem continuidade à alta iniciada em junho, mas esse padrão foi invalidado. A única esperança dos compradores agora está no bullish imbalance 20, que ainda não pode ser considerado invalidado. Portanto, ainda pode ocorrer uma reação a esse padrão, embora, neste momento, praticamente qualquer queda, por menor que seja, no euro também resulte na invalidação desse padrão.
O cenário econômico de quarta-feira não teve relevância e não exerceu impacto sobre o sentimento dos traders. Embora o mercado ainda estivesse contido pela manhã, novas compras de dólar começaram na segunda metade do dia. O relatório sobre a produção industrial da União Europeia veio ligeiramente melhor do que o esperado pelos traders, mas de que adianta se o euro está caindo até mesmo durante uma reunião hawkish do BCE? As vendas no varejo dos EUA aumentaram 1,2%, o que apenas intensificou a pressão sobre a moeda europeia.
Ainda há um enorme número de razões para os compradores atacarem em 2026. Em termos estruturais e globais, as políticas de Trump, que levaram a uma queda significativa do dólar no ano passado, não mudaram. No momento, não vejo fatores significativos que sustentem a moeda americana, apesar da postura hawkish do FOMC. Os acontecimentos geopolíticos, que sustentaram a demanda pela moeda americana durante a maior parte do primeiro semestre de 2026, já não estão mais fazendo isso.
Calendário de notícias dos EUA e da União Europeia:
- União Europeia – Índice de Preços ao Consumidor de agosto (estimativa final) (09:00 UTC).
- EUA – Licenças para construção (12:30 UTC).
- EUA – Início de construção de moradias (12:30 UTC).
- EUA – Variação nas solicitações iniciais de benefícios de desemprego (12:30 UTC).
O calendário econômico de 17 de setembro contém quatro eventos aos quais dificilmente algum trader dará atenção. O cenário econômico poderá exercer uma influência muito fraca sobre o sentimento do mercado na quinta-feira ou não exercer influência alguma.
Previsão e dicas de negociação para EUR/USD:
Na minha avaliação, o par continua no processo de formação de uma tendência de alta que está em pausa há um ano inteiro. O cenário informativo mudou acentuadamente a favor dos ursos há seis meses, mas a tendência em si não pode ser considerada invalidada nem concluída. No longo prazo, eu diria que o par está sendo negociado dentro de uma faixa. No entanto, a faixa não invalida a tendência de alta mais ampla. Portanto, os compradores podem retomar o movimento de alta em 2026, mas sua única oportunidade restante está no imbalance 20. Ontem, também se formou o imbalance de baixa 22, a partir do qual o preço poderá reagir hoje e formar um sinal. O alvo de baixa para a moeda europeia poderá ser o nível de 1,1406–1,1434. O sentimento dos traders poderá mudar à noite, pois o resultado da reunião do FOMC não pode ser previsto com segurança de antemão.