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FX.co ★ Pressão aumenta enquanto o BCE reluta em agir

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Forex Analysis:::2026-10-20T16:29:07

Pressão aumenta enquanto o BCE reluta em agir

O diferencial de rendimento exigido pelos investidores para deter títulos franceses de 10 anos em vez de títulos equivalentes do governo alemão (Bunds) aumentou para 153 pontos-base, o nível mais alto desde 2 de outubro. Para o euro, esse movimento representa mais um revés, pois os problemas da França voltaram ao centro das atenções, ampliando a pressão sobre a moeda única. O mercado voltou a evidenciar como o risco político em um dos maiores países da região pode rapidamente se transformar em risco cambial.

Pressão aumenta enquanto o BCE reluta em agir

O membro do Conselho do BCE, Olli Rehn, discursou hoje perante o Parlamento finlandês e afirmou que os spreads entre os títulos franceses e os Bunds alemães se ampliaram "em certa medida" devido a fatores comuns e específicos de cada país. Ele observou que muitos outros países também enfrentaram pressões semelhantes. Em sua avaliação, os rendimentos dos títulos soberanos são influenciados pelo aumento da demanda do setor privado por capital, incluindo os grandes investimentos das empresas em IA, e pela expansão dos déficits públicos, que eleva o custo do capital. "Todos os países da área do euro devem controlar seus déficits públicos", enfatizou, acrescentando que isso vale igualmente para a França e a Finlândia.

A situação na França permanece tensa. Os protestos contra o aumento do custo de vida, que reuniram centenas de milhares de pessoas ao longo do fim de semana, evoluíram para episódios de violência, vandalismo e saques. As autoridades reforçaram a segurança e prometeram apoio às empresas, mas o governo dispõe de pouca margem de manobra. O país acumula uma dívida enorme e registra um dos maiores déficits orçamentários da área do euro. Portanto, simplesmente aumentar os gastos para acalmar a população não é uma opção.

As raízes do problema são mais profundas. Muitos países da região, incluindo a França, não conseguiram reduzir rapidamente seus déficits após a crise financeira de 2009 e, posteriormente, contraíram mais dívidas para amparar a população durante a pandemia. Um longo período de inflação elevada aumentou, então, os custos do serviço da dívida. Os eleitores prejudicados pela alta dos preços se opõem tanto aos cortes de gastos quanto aos aumentos de impostos. Os governos franceses têm caído sucessivamente, sem conseguir aprovar orçamentos com cortes de despesas em um Parlamento dividido e polarizado. Atualmente, os custos de financiamento da França são mais altos do que os da Itália.

A onda de vendas de títulos reacendeu as lembranças da crise da dívida soberana de 2009–2015. Títulos de outros países altamente endividados, incluindo Itália, Grécia e Bélgica, também sofreram pressão, sugerindo que os investidores estão precificando o risco de contágio — isto é, a possibilidade de que a perda de confiança em um país provoque a queda dos preços dos títulos de outros. A proposta de orçamento do governo francês para 2027 segue, em linhas gerais, as regras fiscais da União Europeia, mas existe o risco de que as metas de déficit não sejam cumpridas caso o governo caia novamente. Vale lembrar que o plano prevê medidas para reduzir o déficit em cerca de € 43 bilhões, e os sindicatos já convocaram uma greve para 5 de novembro.

A incerteza política é agravada pelas eleições presidenciais previstas para abril do próximo ano. Emmanuel Macron não pode concorrer a um segundo mandato, e dois dos principais candidatos prometem uma ruptura decisiva com sua orientação centrista. Marine Le Pen prometeu cortes expressivos no déficit, mas seu partido não tem experiência no governo nacional, e os economistas consideram seus planos pouco convincentes. Ela pediu que o BCE intervenha para ajudar a reduzir os custos de financiamento da França. Jean-Luc Mélenchon propôs enfrentar a dívida cancelando parte dos saldos registrados nos balanços do Banco da França e do BCE.

A principal questão é como o BCE vai agir. Para conter uma onda de vendas de títulos, a instituição dispõe de dois mecanismos de recompra, e a atenção está voltada para um instrumento de proteção mais recente e flexível, criado em 2022 para combater movimentos de mercado injustificados e desordenados. No entanto, a presidente do BCE, Christine Lagarde, e o governador do Banco da França, François Villeroy de Galhau, afirmaram recentemente que, por enquanto, não há necessidade de intervir. Diante das tensões do mercado em torno dos problemas fiscais da França, é pouco provável que a autoridade monetária intervenha para ajudar o país.

Esse é o problema para o euro. Quando os spreads se ampliam e o banco central não está disposto a atuar como garantidor, os investidores exigem um prêmio de risco e reduzem suas posições na moeda única. O euro já caiu em episódios semelhantes envolvendo a França: no início de outubro, o EUR/USD atingiu sua mínima desde maio de 2025 em meio à ampliação dos spreads, enquanto a onda de vendas registrada na sessão asiática de segunda-feira foi desencadeada pelos protestos na França.

Minha avaliação é que, enquanto o impasse em torno do orçamento francês e os protestos nas ruas não forem resolvidos e o BCE não der sinais de apoio ao mercado de títulos, o euro terá poucos motivos para uma recuperação consistente. Arriscaria dizer que qualquer nova ampliação dos spreads ou novos episódios de agitação nas ruas da França voltarão a pressionar a moeda. Uma melhora significativa provavelmente só ocorrerá após um sinal claro de Paris, Berlim ou Bruxelas.

Análise técnica do par EUR/USD

Agora, os compradores precisam se concentrar em recuperar o nível de 1,1235. Somente isso permitiria buscar um teste de 1,1265. A partir daí, seria possível chegar a 1,1310, mas avançar até esse nível sem o apoio de grandes participantes do mercado será difícil. No movimento de baixa, espero compras expressivas apenas na região de 1,1195. Se não houver interesse comprador nesse nível, seria prudente aguardar uma nova mínima perto de 1,1155 ou abrir posições compradas a partir de 1,1115.

Analyst InstaForex
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