Para eliminar a dependência econômica da China, os Estados Unidos e a União Europeia precisarão investir a impressionante quantia de US$ 23,6 trilhões ao longo dos próximos 25 anos. Segundo um estudo da consultoria EY-Parthenon, citado pelo Financial Times, esse montante será necessário para desenvolver infraestrutura alternativa, localizar a produção e reestruturar as cadeias globais de suprimentos, atualmente fortemente dependentes dos recursos chineses.
Em termos de distribuição regional dos investimentos, até 2050 os Estados Unidos precisarão destinar aproximadamente US$ 13,7 trilhões a esse processo, enquanto os países da Zona do Euro necessitarão de US$ 9,1 trilhões e o Reino Unido precisará investir cerca de US$ 800 bilhões. Os especialistas destacam que será impossível transferir as principais capacidades produtivas para o Ocidente sem consequências. Esse processo de desglobalização inevitavelmente imporá um pesado ônus aos contribuintes e provocará alta dos preços, já que os produtos chineses atualmente custam entre 20% e 100% menos do que seus equivalentes produzidos no Ocidente.
Outro obstáculo relevante para um rápido rompimento das relações comerciais é o monopólio efetivo da China sobre matérias-primas industriais estratégicas. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), até 2035 a China continuará controlando mais de 60% da oferta mundial de lítio e cobalto refinados, além de aproximadamente 80% do mercado de grafite e de terras raras. A situação é agravada pela crescente pressão regulatória. O Ministério do Comércio da China já proibiu o fornecimento de produtos militares e de uso dual para dez grandes empresas norte-americanas.